Tambores de Guerra

10 Janeiro 2009

Olas,

Primeiramente, duas pequenas notas: cheguei bem do Brasil (foram 15 excelentes e corridos dias) e eu estou bem aqui, apesar do pau estar comendo em Gaza. E é exatamente sobre isso que vou escrever abaixo.

Estando há mais de um ano aqui em Israel, já é possível ter uma noção um pouco mais aprofundada da situação aqui e do porquê de certas coisas acontecerem de certa forma. Antes de vir para cá, quando eu via noticiários sobre o conflito no Oriente Médio com imagens de palestinos atirando pedras e Israel mandando mísseis eu também pensava “que falta de noção, que barbaridade, etc”. Mas isso é uma meia-verdade. Desgraçada, mas é. E como desgraça sempre vende bem no jornal, é só o que passa nas manchetes, tanto no Brasil como no resto do mundo.

Todo mundo está acompanhando (fiquei supreso da Globo dar quase 1/3 do JN só sobre a guerra semana passada) o conflito e a palavra que mais se ouve é “assimétrico” e “desproporcional”, “massacre”, etc. Pois bem, pode parecer uma total falta de noção a reação de Israel, mas é preciso conhecer o que vem se passando há mais de ano no sul de Israel e o modus operandi do Hamas para entender um pouco melhor o conflito.

Desde que o Hamas tomou o controle da Faixa com um golpe em 2006 (matando ou expulsando seus “irmãos” palestinos do Fatah – o que estão aproveitando para fazer novamente, mas agora ninguém dá bola), eles vem atacando a população civil das cidades ao redor de Gaza com foguetes artesanais cuja construção é feita com material desviado (fertilizantes) da ajuda humanitária que Gaza recebe. Tais foguetes já mataram várias pessoas (38 em 2008, se não me engano e 8 desde o começo desta guerra), todos civis, já acontecendo de caírem em universidades e até em jardins de infância (os 3 foguetes disparados do norte semana passada caíram em um Asilo, não morrendo nenhum idoso só porque estavam todos tomando café no refeitório na hora do ataque). O Hamas é um grupo terrorista e assim age, sem respeito à convenções de Genebra ou quaisquer outras, como argumentam agora os mediadores querem arranjar um cessar-fogo. O Hamas é uma organização TERRORISTA que faz de refém e usa a população da Faixa de Gaza. Como?

Isso explica porque morrem tantos civis nos ataques israelenses. Primeiro, porque Gaza é densamente povoada e além disso, o Hamas instala seus quartéis e depósitos de munição propositalmente em meio a residências, hospitais, mesquitas (vide esta matéria – em inglês). Os milicianos invadem casas ameaçando as famílias para usar as casas como base de lançamento de Qassams, para que Israel retalie o ponto de lançamento, destrua uma casa de família e culpe Israel por bombardear civis inocentes. Os milicianos não usam nenhum tipo de uniforme, assim quando são atingidos, podem passar por vítimas civis. E por aí vai. É o que se chama de guerra assimétrica, que tende a se tornar cada vez mais comum (vide Iraque, Afeganistão, Vietnã e porque não as favelas de um certo país tropical – façam um pequeno paralelo com o tráfico e substitua um estado falido por um estado que esteja disposto a proteger seus cidadãos).

Então Israel é “santo” e está fazendo o bem pela paz mundial? Nem tanto. Há muitos interesses secundários e/ou escusos nesse conflito e muita gente tirando proveito deles. O governo daqui procurando se fortalecer para as eleições de fevereiro com um conflito que unifique o país e mostre que eles “tomaram uma providência”, a OPEP querendo que o petróleo suba, a França querendo se projetar como mediadora mundial frente à latência da transição do poder nos EUA (Bush diz que essa p**a não é mais dele, Obama não quer/pode se meter antes do tempo), etc.

Bom, a idéia era mostrar que as coisas não são bem assim e que aí no Brasil chega muita informação pela metade. Recomendo a leitura da matéria de capa da Veja desta semana (está razoavelmente bem explicada) e este bom artigo de um portal daqui (em inglês). Se eu estiver inspirado para a escrita e o jet lag permitir, posto mais coisas no decorrer da semana.

Abraços,
Bruno

Update: dêem (deem)ma olhada nestes dois vídeos, de como o Hamas opera e de como é a vida de quem mora no Sul de Israel nos últimos 8 anos…

http://www.youtube.com/watch?v=J08GqXMr3YE&feature=related

 

http://www.youtube.com/watch?v=ixp8vCvbpGU&feature=related

Novidades, novidades

25 Setembro 2008

Eae pessoas,

Aqui estou novamente, porque tenho algumas novidades, agora de forma oficial.

A primeira, acho que a maioria já sabia ou desconfiava, mas agora é ato. A minha estadia aqui no Israel foi prolongada até junho de 2009. O projeto em que estou trabalhando atrasou um pouco, e para não ficar com a formação pela metade, vou ficar mais esse tempo. Vai ser difícil ter que ficar mais tempo longe de casa e de todos, mas acho que vai ser para o bem. Junto com esta notícia, vem outra que é a confirmação que vou passar o fim de ano aí no Brasil. Devo aparecer por volta do dia 18 de dezembro e retornar para Israel logo depois do ano novo. Vai ser uma “visita de médico”, eu sei, mas espero conseguir rever e matar um pouco a saudade de todos que fazem tanta falta aqui no dia-a-dia. Então, já sabem: vão reservando um espacinho na agenda no meio da correria das festas de fim-de-ano que eu estou chegando!!!! Assim que eu tiver as datas certinhas avisarei a todos.

Bom, mas falando em ano novo, semana que vem é o ano novo aqui! Hehe, não é loucura minha, é que o calendário judaico é diferente do gregoriano usado no resto do mundo, por ser lunar e ter uma contagem de dias, anos e meses diferente. Apeesar de ninguém o seguir estritamente, todos os feriados são comemorados de acordo com ele, por isso variam em relação ao calendário normal. Entraremos no ano judaico 5769 (!) no próximo dia 30 de setembro. Aqui, eles chamam a virada do ano de Rosh Hashaná, ou seja, “cabeça do ano”. Pelo que descobri não há nenhuma festa especial como se costuma fazer, é uma celebração mais familiar, o pessoal janta com a familia com alguns pratos típicos, como maçã com mel (para ter um ano doce), cabeça de peixe (para ser o primeiro e não o último – mas não pretendo experimentar esse :) ), etc.

A viagem ao Leste Europeu está confirmada também – já compramos os passes de trem e reservamos os albergues. Sairemos daqui no dia 08/OUT e retornamos no dia 22/OUT. E logo em seguida disso, a empresa aqui de Israel está levando todos os funcionários para um cruzeiro no Mediterrâneo, passando pelo Chipre e indo até a Grécia. Nós também fomos convidados e iremos passar 4 dias navegando pelos maaaaaaares do mundoooo), acho que vai ser legal também.

Finalmente, respondendo aos comentários do Cássio e do João sobre a aventura enóloga do post anterior, ganhamos sim não uma, mas duas garrafas da vinícola: um rosé (Pink Floyd) e um tinto com corte Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc (Deep Purple). O rosé era bem bonzinho (não sou muito de rosé), e o tinto era excelente! O mais engraçado foi abrir a garrafa do tinto e sentir EXATAMENTE o mesmo cheiro que sentíamos durante o processo na vinícola. Era fechar os olhos e estávamos lá novamente. Muito massa!

Update: a foto do que sobrou do vinho (a garrafa vazia):

Deep Purple

Deep Purple

 

 

Então era isso gente, sei que são muitas novidades empacotadas mas não vo mentir para vocês: o próximo post acho que só depois da viagem para contar como foi o Leste Europeu (e com muitas fotos, óbvio!)

Abraços e mandem novidades daí tambem!

Shaná Tová! (transliteração de שנה טובה -  ”Feliz Ano Novo”, em hebraico),

Bruno

Notícias do lado daqui

25 Julho 2008

Eae pessoas,

Pois é, depois de um longo silêncio, volto á ativa para mandar umas notícias daqui e lembrar que não sumi e um dia (espero) voltarei, hehehe.

A coisa por aqui, como disse nos posts anteriores, anda meio na mesma, a rotina meio que se estabeleceu: trabalho-casa-trabalho, com pequenas variações como supermercado ou natação (tenho tentado fazer 2x por semana). Os findis são dedicados a alguma viagem ou ao ócio puro e simples mesmo.

Alguns findis atrás fui no Monte Hermon, que é a estação de esqui Israelense que fica nas Colinas do Golan, na divisa com a Síria. Claro que não tinha neve por lá agora, mas foi bem agradável porque não estava fazendo o calor infernal (e úmido – acreditem) que tem feito aqui em Haifa. Fomos até lá, subimos de teleférico até a parte mais alta e fizemos um piquenique por lá. Estava quase me esquecendo como era passar frio (porque chuva já não me lembro mais como é, hehehe). Algumas fotos estão no Picasa do Pacheco e no meu Picasa também.

Já no findi passado fui a Eilat de novo, já que alguns dos guris estavam na pilha de ir. Fui e foi legal, deu para pegar uma prainha e mergulhar de novo. Dessa vez o Bidi e eu alugamos o equipamento e acertamos com uma instrutora. Ela nos levou na Moses Rock, que é uma rocha que fica dentro de um parque natural. Doi muito legal, a rocha é enorme, com muitos peixes em volta. Teve uma hora em que olhamos e parecia rocha, mas quando as bolhas de ar atingiram a rocha, deu para ver que eram peixes mimetizados, daí eles abriram e voltaram à sua posição original. Muito show! No total deu uns 40 minutos de mergulho, fiquei mais pilhado ainda. Acho que vou acabar fazendo o curso avançado ou mais alguns mergulhos avulsos por aqui, já que descobrimos que aqui por perto tem uma escola de mergulho. Não é tão bonito de se ver embaixo d’água quanto o Mar Vermelho, mas já dá para o gasto. Para quem duvidou das minhas histórias mergulhísticas, aí vai a prova, hehehe. O resto das fotos está aqui.

Aliás, uma peculiaridade sobre ir a Eilat. É muito engraçado, porque os Israelis ficam apavorados como somos capazes de ir a Eilat e voltar em um findi…. de carro! Dizem que é muito longe, um horror, atravessar o país (lembre-se: 450km). Tanto que o pessoal de Haifa ou mesmo Tel Aviv vai de AVIÃO para Eilat, e tratam como se fosse uma viagem quase para outro país. É muito louco, só estando aqui para ter a real noção de quão pequeno é Israel (e se sair mesmo o estado palestino e entregarem o Golan de volta para a Síaria, ficará menor ainda). Esses dias também eu estava olhando o mapa do Oriente Médio e me dando conta disso.  Dá para atravessar completamente o país de norte a sul em 6h! :)

No mais, nada de muito novo. Semana passada fui num festival de dança que teve em Karmiel, uma cidade aqui perto. Não que eu seja grande entendedor, mas foi bem legal, fui no evento de abertura, quando fizeram uma prévia dos vários shows que teriam nos dias seguintes. Foi num anfiteatro, com um gramadão na frente, daí a galera trouxe cadeiras e cangas e ficou ali curtindo, bem legal. Uma curiosidade que só fui descobrir depois é que o festival rola durante 3 dias, 24h por dia! Muito bizarro!

Então é isso pessoal, no mais tudo em paz por aqui, apesar da modinha de motoristas palestinos de escavadeira resolverem sair tocando o horror em Jerusalém e atropelar todo mundo que vêem pela frente. Mas não se preocupem, aqui em Haifa a coisa é bem mais tranquila. Até porque aqui eles sabem como lidar com esssas coisas
Abraços,
Bruno

Masada e Mar Morto

04 Março 2008

Eae pessoas,

Post curtinho, só para contar que no findi passado fui à Masada e no Mar Morto. Masada é um forte construído pelos romanos e que fica no topo de uma montanha tri alta, da qual se tem uma vista completa do mar morto, da fronteira com a Jordânia (que fica do outro lado do mar) e das montanhas da região. É incrível como nesse país tu andas 1h de carro e a paisagem muda completamente. Ali o cenário é só pedra e pedra, parece aquela região montanhosa que aparece no filme “Babel”. Na ida passamos do ladinho de Jericó, que é área administrada pelo Autoridade Palestina. Bom, mas voltando ao forte, ele foi construído pelo imperador Herodes e depois tomado pelos judeus em uma revolta. Os romanos então sitiaram o forte e ficaram um baita tempo tentando tomá-lo. Inclusive chegaram a fazer uma enorme rampa para invadí-lo, e quando estavam prestes a fazê-lo, os judeus decidiram suicidar-se para não retornarem à escravidão. Por isso, Masada é considerada um símbolo da resistência do povo judeu e foi restaurada e aberta como parque nacional. Mas noves fora toda a parte histórica, o lugar é muito bonito, as paisagens são incríveis. Dêem uma olhada nas fotos para entender do que falo!! Nós subimos o morro a pé (pelo Snake Path) e descemos de bondinho.

Depois disso, fomos ao Mar Morto. Como muitos sabem, a água do Mar Morto é estupidamente salgada. Como a densidade é bem maior que a água do mar normal, dá para ficar boiando quase o tempo inteiro. Chega a dar para ficar quase sentado em cima da água, pena que faltou o jornal para tirar a foto clássica. Enfim, não tem como explicar muito, só indo lá para saber. Quem vier aqui me visitar, prometo que levo lá, hehehe!

No mais era isso, não se preocupem com as notícias que andam saindo por aí. Apesar de o pau estar comendo em Gaza, as coisas aqui estão tranquilas. Aliás, é engraçado isso, aí no Brasil só saem as notícias que “Israel massacra palestinos”, que “os coitados só têm pedras e paus para se defenderem dos tanques israelenses”, etc. Só que as notícias de que o Hamas têm lançado em média 15 a 20 foguetes por dia contra civis israelenses não são divulgadas aí, e na real essa manobra toda tem o objetivo de fazer com que os terroristas parem de lançar os Qassams. Bom, mas isso é assunto para outro post…

Abraços,
Bruno

Shalom pessoas,

Bom, depois de três meses aqui acho que já dá para ter opiniões mais precisas sobre as coisas que acontecem aqui. Este post vai tratar de um assunto especificamente Israeli.

Pelo que o pessoal daí (Brasil) tem falado, parece que o noticiário está “bombando” (eu sei, baita “trocadalho”) sobre Gaza, que está quase dando guerra e tal, e que Israel é malvado, feio e bobão porque fechou a fronteira Gaza-Israel e não deixa nada entrar, então os Gazeanos tiveram que ir para o Egito comprar comida e combustível.

Bom, mas porque isso acontece? E mais ainda, porque só na faixa de Gaza e não na Cisjordânia, que também é controlada por palestinos? Pois bem, acontece que desde que Israel se retirou da faixa e da Cisjordânia, o controle dessas regiões ficou com o que sobrou da OLP, a Organização para a Libertação da Palestina. Só que eles se dividiram em dois movimentos (parece coisa de petista), o Hamas e o Fatah. O presidente da AP (autoridade palestina) e o primeiro ministro são do Fatah e, assim digamos, mais moderados, ou seja, concordam com a instalação do estado palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e aceitam que Israel continue com o terrritório que tem (há ainda algumas divergências sobre a divisão de Jerusalém, mas isso são outros 500). Só que o Hamas é mais radical e discorda disso, pois eles pregam que o estado judaico deve ser destruído. Sim, isso mesmo, destruído. Inclusive por discordar do Fatah, nas eleições da câmara palestina em 2000 o Hamas obteve maioria . Com isso, eles correram o Fatah da Faixa, então na prática hoje existem dois territórios palestinos: a Cisjordânia, mais moderada e controlada pelo Fatah, e a Faixa, controlada pelo Hamas e pregando a destruição de Israel. (update: a propósito, a mesma fronteira de Gaza com o Egito que foi arrombada pelo Hamas semana passada era administrada por tropas européias da UN. Só que elas se retiraram de lá em 2006, pois têm como política não negociar com terroristas, ou seja, com o Hamas).

Como o Hamas faz isso? Já que eles (teoricamente) não têm acesso à armas, ficam lançando foguetes artesanais nas cidades israelenses próximas à faixa. Não são mísseis, mas fazem um bom estrago. Imaginem que você está em casa ou no trabalho e de repente um cano de ferro cheio de pregos e pólvora estoura o teto da tua casa e explode em cima de ti. Ou então na escola do teu filho? Nada legal, não é?

E é por estar caindo na média 10 a 20 foguetes por dia nas cidades próximas à Faixa (teve dia que caiu mais de 50 foguetes) que Israel endureceu a entrada de coisas em Gaza. Daí pode-se alegar “mas impedem a entrada de material de primeira necessidade”. De certa forma sim, para fazer a população pressionar o governo que elegeu (Hamas) a aliviar os foguetes. E se é dito “ah, impedem até a entrada de fertilizante, impedindo a população de plantar seus alimentos). Adivinhe o que é usado na mistura que propulsiona os foguetes??? O mesmo fertilizante que deveria ser usado para gerar comida é desviado para fazer armas.

Enfim, guerra é um negócio complicado e guerra contra milícias e terroristas é mais complicado ainda. Mas a idéia deste post (e talvez de mais que venham, se eu tiver disposição) é mostrar que a coisa não é bem assim como passa no Jornal Nacional ou no Fantástico… :-/

Abraços,
Bruno

P.S.: tomei a liberdade de traduzir um artigo que mostra bem o que está acontecendo na relação Israel e Gaza. Está logo abaixo deste post. Recomendo a leitura!!

Os ingênuos do Hamas

28 Janeiro 2008

Esse artigo eu li no site do Jerusalem Post. Como achei bem interessante e elucidativo sobre a situação entre Israel e Gaza, tomei a liberdade de traduzi-lo livremente. O original encontra-se aqui.

Boa leitura! Vale a pena!

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Os Ingênuos do Hamas

Ontem (20/01), a comissária européia de relações externas, Benita Ferrero-Waldner, disse: “Eu condeno o lançamento de foguetes contra Israel e nós entendemos completamente a necessidade de Israel de defender seus cidadãos”. Mas ela também acusou Israel de causar blecautes em partes de Gaza, afetando casas e hospitais. Fechar as fronteiras causará racionamentos de comida e medicamentos… eu sou contra essa punição coletiva da população de Gaza”

Seria ótimo se a imprensa internacional e os governantes que cegamente dão seus palpites sobre isto pudessem por um
momento considerar que seu abraço “Pavloviano” (agradeço a quem puder traduzir esta expressão) à “crise humanitária”
fabricada em Gaza pode levar, na melhor das hipóteses, no prolongamento do sofrimento dos Gazeanos e Israelenses e,
pior, à uma sangrenta guerra. A razão disto é que qualquer coisa que reduza a pressão sobre o Hamas para encerrar
sua agressão gratuita contra Israel vai encorajar essa agressão, com todos seus resultados associados.

Israel obviamente não tem interesse em causar qualquer tipo de sofrimento em Gaza, e tem todo interesse em encorajar
o desenvolvimento palestino, apesar da guerra que O Hamas promove contra Israel. Mas o Hamas é responsável pelo
disparo de dezenas de foguetes – 50 em um dia na última semana) contra os cidadãos de Sderot (cidade próxima à
Gaza)
. Como resultado, Israel reduziu o fornecimento de combustível, levando a uma redução de 25% da disponibilidade
de energia elétrica disponível aos Gazeanos.

Como a ministra das Relações Exteriores explicou: “Nós estamos mantendo a situação humanitária na Faixa de Gaza.
Israel é o único lugar no mundo que fornece eletricidade à organizações terroristas que lançam foguetes como
retorno. A vida para os palestinos da Faixa de Gaza não é fácil porque há terrorismo lá… o Hamas pode mudar a vida da população de Gaza em um instante, se cessar o terrorismo. Eles sabem disso, e os cidadãos palestinos devem
entender isto também”. Um oficial do Hamas advertiu que a redução das entregas de combustível para a usina elétrica
de Gaza pode causar uma catástrofe na saúde. “Nós temos a escolha de cortar a eletricidade dos bebês na maternidade
ou cirurgias de coração ou então parar as salas de operações (ondem são feitos os foguetes)“, ele disse.

Bem, não exatamente. O Hamas tem a escolha de fornecer a eletricidade que tem primeiro para hospitais e outras
necessidades humanitárias. O Hamas também tem a escolha de parar o ataque com foguetes Kassam contra Israel. No
entanto, como esperado, os líderes do Hamas escolheram por deliberadamente aumentar o sofrimento dos palestinos,
sabendo que a comunidade internacional vai cooperar com essa cínica escolha e culpar Israel. Qualquer um que duvide
que o Hamas é capaz de parar sua agressão deve notar que o regime terrorista admitiu responsabilidade pelos ataques
e de tempos em tempos sugeriu um “cessar-fogo”. Não existe, além disso, nenhum grande ato de “punição coletiva”
maior que disparar aleatoriamente foguetes em casas de civis inocentes. Onde está a preocupação pela “crise
humanitária” dos Israelenses que têm tido de viver sob ameaças de esporádicas e, às vezes, intenso lançamento de
foguetes nos últimos sete anos?

Interrupções de eletricidade e combustível não são fáceis, mas não podem se comparar à mortal e indiscriminada
ameaça de foguetes caindo em jardins-de-infâcia e residências.

Mesmo se o sofrimento fosse comparável, a culpabilidade moral não o é. O que os cidadãos de Sderot fizeram aos
Gazeanos ou ao Hamas? Como pôde Israel ter se retirado completamente de Gaza, depois de arrancar não só todos os
assentamentos mas também cemitérios e a faixa de segurança ao longo da fronteira entre Gaza e o Egito?

É uma coisa para o Hamas ter decidido atacar Israel sem qualquer justificativa, em detrimento das pessoas que diz
representar. Mas porquê iriam nações que alegam estarem preocupadas com palestinos, israelenses e pelo acordo de paz
reforçar o despiste de Hamas de culpar Israel por estar sendo atacado?

Talvez mais oficiais europeus deveriam visitar Sderot antes de abrirem suas bocas. O ministro de Relações Exteriores
holandês, Maxime Verhagen, fez justamente isto e teve isto a dizer: “Hamas está deliberadamente intensificando a
crise na Faixa de Gaza de modo a criar pressão da comunidade internacional sobre Israel”. A comunidade internacional
precisa não jogar o jogo do Hamas. Se os oficiais ocidentais uniformemente culparem o Hamas ao invés de amplificar
sua propaganda, o Hamas será forçado a parar sua agressão, pondo fim à “crise humanitária”. Tão necessária quanto
medidas militares e não militares de Israel, a maior pressão de todas seria se a comunidade internacional deixasse
claramente compreendido que está farta de agir como ingênuos do Hamas.

Texto original em http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1200572510629&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull

Livremente (mas tentado fielmente) traduzido por Bruno Cozer. Erros ou sugestões, favor usar os comentários.