Tambores de Guerra

10 Janeiro 2009

Olas,

Primeiramente, duas pequenas notas: cheguei bem do Brasil (foram 15 excelentes e corridos dias) e eu estou bem aqui, apesar do pau estar comendo em Gaza. E é exatamente sobre isso que vou escrever abaixo.

Estando há mais de um ano aqui em Israel, já é possível ter uma noção um pouco mais aprofundada da situação aqui e do porquê de certas coisas acontecerem de certa forma. Antes de vir para cá, quando eu via noticiários sobre o conflito no Oriente Médio com imagens de palestinos atirando pedras e Israel mandando mísseis eu também pensava “que falta de noção, que barbaridade, etc”. Mas isso é uma meia-verdade. Desgraçada, mas é. E como desgraça sempre vende bem no jornal, é só o que passa nas manchetes, tanto no Brasil como no resto do mundo.

Todo mundo está acompanhando (fiquei supreso da Globo dar quase 1/3 do JN só sobre a guerra semana passada) o conflito e a palavra que mais se ouve é “assimétrico” e “desproporcional”, “massacre”, etc. Pois bem, pode parecer uma total falta de noção a reação de Israel, mas é preciso conhecer o que vem se passando há mais de ano no sul de Israel e o modus operandi do Hamas para entender um pouco melhor o conflito.

Desde que o Hamas tomou o controle da Faixa com um golpe em 2006 (matando ou expulsando seus “irmãos” palestinos do Fatah – o que estão aproveitando para fazer novamente, mas agora ninguém dá bola), eles vem atacando a população civil das cidades ao redor de Gaza com foguetes artesanais cuja construção é feita com material desviado (fertilizantes) da ajuda humanitária que Gaza recebe. Tais foguetes já mataram várias pessoas (38 em 2008, se não me engano e 8 desde o começo desta guerra), todos civis, já acontecendo de caírem em universidades e até em jardins de infância (os 3 foguetes disparados do norte semana passada caíram em um Asilo, não morrendo nenhum idoso só porque estavam todos tomando café no refeitório na hora do ataque). O Hamas é um grupo terrorista e assim age, sem respeito à convenções de Genebra ou quaisquer outras, como argumentam agora os mediadores querem arranjar um cessar-fogo. O Hamas é uma organização TERRORISTA que faz de refém e usa a população da Faixa de Gaza. Como?

Isso explica porque morrem tantos civis nos ataques israelenses. Primeiro, porque Gaza é densamente povoada e além disso, o Hamas instala seus quartéis e depósitos de munição propositalmente em meio a residências, hospitais, mesquitas (vide esta matéria – em inglês). Os milicianos invadem casas ameaçando as famílias para usar as casas como base de lançamento de Qassams, para que Israel retalie o ponto de lançamento, destrua uma casa de família e culpe Israel por bombardear civis inocentes. Os milicianos não usam nenhum tipo de uniforme, assim quando são atingidos, podem passar por vítimas civis. E por aí vai. É o que se chama de guerra assimétrica, que tende a se tornar cada vez mais comum (vide Iraque, Afeganistão, Vietnã e porque não as favelas de um certo país tropical – façam um pequeno paralelo com o tráfico e substitua um estado falido por um estado que esteja disposto a proteger seus cidadãos).

Então Israel é “santo” e está fazendo o bem pela paz mundial? Nem tanto. Há muitos interesses secundários e/ou escusos nesse conflito e muita gente tirando proveito deles. O governo daqui procurando se fortalecer para as eleições de fevereiro com um conflito que unifique o país e mostre que eles “tomaram uma providência”, a OPEP querendo que o petróleo suba, a França querendo se projetar como mediadora mundial frente à latência da transição do poder nos EUA (Bush diz que essa p**a não é mais dele, Obama não quer/pode se meter antes do tempo), etc.

Bom, a idéia era mostrar que as coisas não são bem assim e que aí no Brasil chega muita informação pela metade. Recomendo a leitura da matéria de capa da Veja desta semana (está razoavelmente bem explicada) e este bom artigo de um portal daqui (em inglês). Se eu estiver inspirado para a escrita e o jet lag permitir, posto mais coisas no decorrer da semana.

Abraços,
Bruno

Update: dêem (deem)ma olhada nestes dois vídeos, de como o Hamas opera e de como é a vida de quem mora no Sul de Israel nos últimos 8 anos…

http://www.youtube.com/watch?v=J08GqXMr3YE&feature=related

 

http://www.youtube.com/watch?v=ixp8vCvbpGU&feature=related

Novidades, novidades

25 Setembro 2008

Eae pessoas,

Aqui estou novamente, porque tenho algumas novidades, agora de forma oficial.

A primeira, acho que a maioria já sabia ou desconfiava, mas agora é ato. A minha estadia aqui no Israel foi prolongada até junho de 2009. O projeto em que estou trabalhando atrasou um pouco, e para não ficar com a formação pela metade, vou ficar mais esse tempo. Vai ser difícil ter que ficar mais tempo longe de casa e de todos, mas acho que vai ser para o bem. Junto com esta notícia, vem outra que é a confirmação que vou passar o fim de ano aí no Brasil. Devo aparecer por volta do dia 18 de dezembro e retornar para Israel logo depois do ano novo. Vai ser uma “visita de médico”, eu sei, mas espero conseguir rever e matar um pouco a saudade de todos que fazem tanta falta aqui no dia-a-dia. Então, já sabem: vão reservando um espacinho na agenda no meio da correria das festas de fim-de-ano que eu estou chegando!!!! Assim que eu tiver as datas certinhas avisarei a todos.

Bom, mas falando em ano novo, semana que vem é o ano novo aqui! Hehe, não é loucura minha, é que o calendário judaico é diferente do gregoriano usado no resto do mundo, por ser lunar e ter uma contagem de dias, anos e meses diferente. Apeesar de ninguém o seguir estritamente, todos os feriados são comemorados de acordo com ele, por isso variam em relação ao calendário normal. Entraremos no ano judaico 5769 (!) no próximo dia 30 de setembro. Aqui, eles chamam a virada do ano de Rosh Hashaná, ou seja, “cabeça do ano”. Pelo que descobri não há nenhuma festa especial como se costuma fazer, é uma celebração mais familiar, o pessoal janta com a familia com alguns pratos típicos, como maçã com mel (para ter um ano doce), cabeça de peixe (para ser o primeiro e não o último – mas não pretendo experimentar esse :) ), etc.

A viagem ao Leste Europeu está confirmada também – já compramos os passes de trem e reservamos os albergues. Sairemos daqui no dia 08/OUT e retornamos no dia 22/OUT. E logo em seguida disso, a empresa aqui de Israel está levando todos os funcionários para um cruzeiro no Mediterrâneo, passando pelo Chipre e indo até a Grécia. Nós também fomos convidados e iremos passar 4 dias navegando pelos maaaaaaares do mundoooo), acho que vai ser legal também.

Finalmente, respondendo aos comentários do Cássio e do João sobre a aventura enóloga do post anterior, ganhamos sim não uma, mas duas garrafas da vinícola: um rosé (Pink Floyd) e um tinto com corte Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc (Deep Purple). O rosé era bem bonzinho (não sou muito de rosé), e o tinto era excelente! O mais engraçado foi abrir a garrafa do tinto e sentir EXATAMENTE o mesmo cheiro que sentíamos durante o processo na vinícola. Era fechar os olhos e estávamos lá novamente. Muito massa!

Update: a foto do que sobrou do vinho (a garrafa vazia):

Deep Purple

Deep Purple

 

 

Então era isso gente, sei que são muitas novidades empacotadas mas não vo mentir para vocês: o próximo post acho que só depois da viagem para contar como foi o Leste Europeu (e com muitas fotos, óbvio!)

Abraços e mandem novidades daí tambem!

Shaná Tová! (transliteração de שנה טובה -  ”Feliz Ano Novo”, em hebraico),

Bruno

Shalom pessoas,

Após uma ausência por aqui, retomo contato com as novidades das duas últimas semanas (eu sei, já fui mais atencioso com o blog, mas a preguiça anda batendo…)

Bom, primeira novidade é que o verão está chegando aqui por esses lados! Finalmente, após aguentar dois invernos seguidos, os casacos começam a ir para o armário. Já conseguimos até ir para a praia. No findi passado só fiquei na areia pegando um sol e conversando fiado, mas ontem e hoje já deu para entrar na água. Tudo bem que ela ainda está bem gelada, mas já deu para começar a matar a saudade. E parece que a teoria de que a praia estava vazia quando chegamos, em outubro, era porque o pessoal daqui estava enjoado de praia mesmo, porque tanto no findi passado como nesse a praia estava bombando. Quando começar a esquentar mais um pouco, já vai dar para sair do trabalho e ir direto para a praia, hehehehe.

Na segunda passada foi St. Patrick’s day, dia do padroeiro da irlanda e dia mundial de tomar Guinness. Como não poderia deixar de ser, nos tocamos para o Irish Pub aqui em Haifa. Com um detalhe: convidamos o pessoal do trabalho e eles foram em peso! Foi muito tri, ficamos lá tomando aquela Guinness, conversando, muito jóia. E no dia seguinte, todo mundo unido na ressaca, hehehe! Aqui tem algumas fotos do “convescote”.

E finalmente, para explicar o título do post, essa semana teve Purim aqui em Israel. Purim é uma festa típica dos judeus, onde eles comemoram a derrota de um inimigo que queria exterminar o povo judeu. Tem toda a história da comemoração explicadinha aqui, mas a moral é que eles fazem umas festas animais, onde a galera toda se fantasia e bebe até cair. Algo como se fosse um grande carnaval de salão das antigas, mas muito tri. Na quarta teve uma festa de Purim na Elbit, daí no horário de almoço fomos para um dos pátios e tinha apresentações, toda a galera fantasiada (alguns inclusive o dia inteiro – muito cômico passar nas baias e ver o pessoal trabalhando fantasiado) e tal. Foi massa que entramos no espírito e vários de nós bolamos fantasias também. A minha fantasia de Purim foi meio que um vendedor de camelos, mas reconheço que não era muito politicamente correta, hehe. Mas como era espírito de festa, não tinha problema. Um dos guris aqui se fantasiou de mulher, ficou muito engraçado, até ganhou o concurso de fantasias da festa! As fotos do Purim na Elbit estão aqui.

Então era isso pessoas, no mais a vida segue por aqui, o trabalho tá ficando cada vez mais apertado, mas está tudo jóia, aprendendo um monte de coisa legal. E no mais, estou na contagem regressiva para a chegada da minha primeira visita do Brasil, a Fer que vem agora em abril. Vai ser um mês que eu sei que vai passar voando (ainda mais com o monte de viagens que vamos fazer – Ilhas gregas, Turquia, Jerusalém, Jordânia, etc), mas serão os minutos mais valiosos que terei nos próximos tempos!!

Me mandem notícias desse lado do atlântico também, por email, MSN, skype, comentários, whatever!

Abraços,
Bruno

Shalom pessoas,

Pois é, o dia 4 de fevereiro chegou e em plena segunda-feira carnaval no Brasil, enquanto todos tocavam o horror na praia, eu fiz aniversário. Em pleno Israel. Mas é a vida, quando eu escolhi vir para cá já sabia disso. Não foi tão brabo quanto Natal e Ano Novo, mas a saudade bateu à porta. Mas amenizou receber as ligações da família, alguns e-mails e scraps no Orkut também. Como já disse em outros posts nesse blog, pode parecer bobo, mas pequenas lembranças fazem toda a diferença quando se está a 12.000 km da família e dos amigos.

Mas passando o momento sentimental, o negócio foi comemorar da melhor maneira possível. E a respeito disso não posso me queixar, afinal dadas as circunstâncias, o aniver foi muito bem comemorado. No dia 4 mesmo, teve Festa-supresa no trabalho com o pessoal daqui e mais o pessoal de Israel com quem eu trabalho. Foi muito legal, funcionou a surpresa porque o bolo que a Chen (uma das nossas colegas) fez veio de manhã mesmo. À noite, fiz um risoto (receita tradicional do Eng. Cozer) para a galera no clube. Começou a aparecer gente e mais gente e faltou panela pra tanto risoto. Mas com uma torta e os docinhos que o pessoal trouxe ficou na medida e foi legal juntar todo mundo. Para fechar com chave de ouro, na quinta à noite fomos num Irish pub muito tri que tem aqui em Haifa para encerrar o kerb com Guinness. Lovely day for a Guinness!! Fotos dos eventos aqui!!!

No mais, segue a vida por aqui. Na semana passada teve chuva gelada (quase neve) aqui em casa. Foi muito louco, porque eu estava em casa tranquilo quando de repente começo a escutar barulho de chuva forte. Daí abri a janela e vi que estava chovendo mesmo. Mas olhei e vi que os pingos meio que picavam no chão. No parapeito da janela começou a juntar gelo e o chão foi ficando branco. Coloquei um casaco e saí correndo para a rua. O resultado dá para ver aqui. O Pacheco e eu, dois dos que mais sentem frio, foram os únicos com culhões para sair na neve àquela hora, hehehe. Isso foi numa segunda, mas daí no findi seguinte o Leozinho, o Pacheco, o Vigílio e eu fomos no Meron, que é uma montanha nas colinas do Golan com uns 1500m de altitude. Já não estava nevando, mas ainda tinha bastante neve, daí deu para fazer umas guerrinhas e até um boneco (tosco, é verdade) de neve. O Leo colocou umas fotos no Picasa Foi o jeito de “comemorar” carnaval enquanto todo mundo torra aí nas praias, hehehe. Ah, na semana passada ainda tivemos a visita do Dagan, um dos diretores da AEL, daí teve um churras (fotos roubadas do Leo aqui) com ele mais o nosso contato do RH na empresa aqui (Yaniv). Foi jóia, o nosso açogueiro “faixa” de Tel Aviv reservou umas picanhas para nós e deu para matar um pouco a saudade de churras. Já estamos elaborando planos ultra-arrojados de fazer uma churrasqueira “Lego” no pátio do Ismail. Daí vão faltar só os espetos, mas aí são outros 500, hehehe.

No findi passado fiquei mais por aqui mesmo, vi uns filmes (LOST voltou- graças a Deus!) e descansei um pouco. Agora é dar seguimento na semana (eu já trabalhei hoje, maldito domingo-feira :-( ) e programar o próximo findi!

Abraços a todos e mandem notícias (parabéns e presentes atrasados ainda estão valendo… :-) )
Bruno

Edit: Coloquei fotos do kerb aqui!!! 

Os ingênuos do Hamas

28 Janeiro 2008

Esse artigo eu li no site do Jerusalem Post. Como achei bem interessante e elucidativo sobre a situação entre Israel e Gaza, tomei a liberdade de traduzi-lo livremente. O original encontra-se aqui.

Boa leitura! Vale a pena!

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Os Ingênuos do Hamas

Ontem (20/01), a comissária européia de relações externas, Benita Ferrero-Waldner, disse: “Eu condeno o lançamento de foguetes contra Israel e nós entendemos completamente a necessidade de Israel de defender seus cidadãos”. Mas ela também acusou Israel de causar blecautes em partes de Gaza, afetando casas e hospitais. Fechar as fronteiras causará racionamentos de comida e medicamentos… eu sou contra essa punição coletiva da população de Gaza”

Seria ótimo se a imprensa internacional e os governantes que cegamente dão seus palpites sobre isto pudessem por um
momento considerar que seu abraço “Pavloviano” (agradeço a quem puder traduzir esta expressão) à “crise humanitária”
fabricada em Gaza pode levar, na melhor das hipóteses, no prolongamento do sofrimento dos Gazeanos e Israelenses e,
pior, à uma sangrenta guerra. A razão disto é que qualquer coisa que reduza a pressão sobre o Hamas para encerrar
sua agressão gratuita contra Israel vai encorajar essa agressão, com todos seus resultados associados.

Israel obviamente não tem interesse em causar qualquer tipo de sofrimento em Gaza, e tem todo interesse em encorajar
o desenvolvimento palestino, apesar da guerra que O Hamas promove contra Israel. Mas o Hamas é responsável pelo
disparo de dezenas de foguetes – 50 em um dia na última semana) contra os cidadãos de Sderot (cidade próxima à
Gaza)
. Como resultado, Israel reduziu o fornecimento de combustível, levando a uma redução de 25% da disponibilidade
de energia elétrica disponível aos Gazeanos.

Como a ministra das Relações Exteriores explicou: “Nós estamos mantendo a situação humanitária na Faixa de Gaza.
Israel é o único lugar no mundo que fornece eletricidade à organizações terroristas que lançam foguetes como
retorno. A vida para os palestinos da Faixa de Gaza não é fácil porque há terrorismo lá… o Hamas pode mudar a vida da população de Gaza em um instante, se cessar o terrorismo. Eles sabem disso, e os cidadãos palestinos devem
entender isto também”. Um oficial do Hamas advertiu que a redução das entregas de combustível para a usina elétrica
de Gaza pode causar uma catástrofe na saúde. “Nós temos a escolha de cortar a eletricidade dos bebês na maternidade
ou cirurgias de coração ou então parar as salas de operações (ondem são feitos os foguetes)“, ele disse.

Bem, não exatamente. O Hamas tem a escolha de fornecer a eletricidade que tem primeiro para hospitais e outras
necessidades humanitárias. O Hamas também tem a escolha de parar o ataque com foguetes Kassam contra Israel. No
entanto, como esperado, os líderes do Hamas escolheram por deliberadamente aumentar o sofrimento dos palestinos,
sabendo que a comunidade internacional vai cooperar com essa cínica escolha e culpar Israel. Qualquer um que duvide
que o Hamas é capaz de parar sua agressão deve notar que o regime terrorista admitiu responsabilidade pelos ataques
e de tempos em tempos sugeriu um “cessar-fogo”. Não existe, além disso, nenhum grande ato de “punição coletiva”
maior que disparar aleatoriamente foguetes em casas de civis inocentes. Onde está a preocupação pela “crise
humanitária” dos Israelenses que têm tido de viver sob ameaças de esporádicas e, às vezes, intenso lançamento de
foguetes nos últimos sete anos?

Interrupções de eletricidade e combustível não são fáceis, mas não podem se comparar à mortal e indiscriminada
ameaça de foguetes caindo em jardins-de-infâcia e residências.

Mesmo se o sofrimento fosse comparável, a culpabilidade moral não o é. O que os cidadãos de Sderot fizeram aos
Gazeanos ou ao Hamas? Como pôde Israel ter se retirado completamente de Gaza, depois de arrancar não só todos os
assentamentos mas também cemitérios e a faixa de segurança ao longo da fronteira entre Gaza e o Egito?

É uma coisa para o Hamas ter decidido atacar Israel sem qualquer justificativa, em detrimento das pessoas que diz
representar. Mas porquê iriam nações que alegam estarem preocupadas com palestinos, israelenses e pelo acordo de paz
reforçar o despiste de Hamas de culpar Israel por estar sendo atacado?

Talvez mais oficiais europeus deveriam visitar Sderot antes de abrirem suas bocas. O ministro de Relações Exteriores
holandês, Maxime Verhagen, fez justamente isto e teve isto a dizer: “Hamas está deliberadamente intensificando a
crise na Faixa de Gaza de modo a criar pressão da comunidade internacional sobre Israel”. A comunidade internacional
precisa não jogar o jogo do Hamas. Se os oficiais ocidentais uniformemente culparem o Hamas ao invés de amplificar
sua propaganda, o Hamas será forçado a parar sua agressão, pondo fim à “crise humanitária”. Tão necessária quanto
medidas militares e não militares de Israel, a maior pressão de todas seria se a comunidade internacional deixasse
claramente compreendido que está farta de agir como ingênuos do Hamas.

Texto original em http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1200572510629&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull

Livremente (mas tentado fielmente) traduzido por Bruno Cozer. Erros ou sugestões, favor usar os comentários.

Museu da Força Aérea

12 Janeiro 2008

Shalom pessoas,

Pois é, quase duas semanas de abandono no blog não é bonito. Mas enfim, vamos dar uma recapitulada nos acontecimentos dos últimos 10 dias.

O findi passado foi de completa inutilidade. Ficamos mais por casa, estava frio e chuvoso, sem a mínima vontade de colocar o nariz para fora de casa. Se não me engano fizemos uma bóia no clube e jogamos Counter Strike em rede (sim, em dias de chuva tem que arranjar alguma diversão). Ah, também fizemos uma sessão cinema, com “Munique”. É interessante como dá para se ter outra visão dos Israeli subjects, agora que estamos mais por dentro da história e dos acontecimentos. Tenho procurado me interar da história de Israel e do Oriente Médio como um todo, e é muita informação, muita história. Mas uma coisa dá para afirmar: a coisa aqui é enrolada mesmo, toda essa discórdia e celeuma não é por nada.

Bom, mas voltando, após o findi quase depressivo semana passada, para esse findi nos decidimos a não passar em casa e retomar as viagens. Nosso destino a princípio seria o Museu do Holocausto em Jerusalém, mas com a visita do Bush a cidade está toda atravessada, o trânsito uma bagunça, etc. Então, mudamos nossos planos e nos tocamos para o Museu da Força Aérea Israelense, que fica perto de Be-er Sheva, mais ao sul de Israel, no começo do deserto de Negev.

Saímos cedito, pois eram uns bons 250km até lá. Fomos quase até Tel-Aviv, depois passamos perto de Jerusalém e depois rumamos a Be-er Sheva. É interessante que quase chegando em Be-er Sheva, a paisagem lembrava o norte do RS, com várias coxilhas verdes de plantações (irrigadas, óbvio). Mas é acabar a irrigação e já nos damos conta que estamos praticamente no Deserto de Negev, hehehe.

Bom, o museu é muito legal, vários aviões e várias histórias. As fotos estão aqui (UPDATE: adicionei mais algumas fotos!). E de novo, como em Latrum, é muito louco a diferença entre Brasil e Israel nesse aspecto. As últimas guerras pauladas aqui são tri recentes, então todo mundo tem isso muito vivo na sua história. Por exemplo, pudemos ver um caça que abateu 13 inimigos, ver os destroços de outro avião inimigo, etc. Acho que não tem nenhum caça brasileiro em atividade que tenha derrubado um inimigo de verdade. Por um lado isso é bom, pois temos um país em paz. Mas será que temos mesmo? Enfim, isso talvez seja assunto para um outro post.

Na volta do museu, paramos em Tel-Aviv para comprar carne, na Operação Bassar II. Dessa vez compramos carne para uso de cada um, daí chegando em casa separamos as carnes e fizemos um strogonoff no clube. Hoje, foi dia de ficar mais por casa e (tentar) jogar um futebol, mas o jogo teve de ser interrompido antes que o pau fechasse, dado o elevado nível de testosterona acumulada da galera…

Então tá pessoas, mandem notícias e aproveitem a praia aí enquanto eu passo frio aqui, até porque estejam certos que em Julho, enquanto vocês estiverem encarangando de frio, eu ligarei para vocês da beira do Mediterrâneo para me vingar, hehehehhe.

Abraços,
Bruno

Shalom pessoas,

Pois é, quase larguei o blog para as cobras… esse clima de fim-de-ano que não é fim-de-ano, sei lá. Na real não temos feito muitas coisas novas nos fins de semana, a rotina começa a se estabelecer, enfim.  Desculpa sempre há para qualquer coisa, hehe.

Pois bem, desde os últimos acontecimentos marcantes (churras do aniversário do Ismail e ida ao museu dos tanques) até se passaram algumas coisas. No dia 20 fomos a Tel-Aviv numa “churrascaria” chamada Papagaio, como festa de fim de ano que a AEL nos proporcionou, já que não pudemos estar presentes na festa que rolou em POA. Na real é o Papagaio é um restaurante de carnes, que tenta ser uma espécie de espeto corrido. E é concorridíssimo, para ir lá só com reserva prévia. Mas para os padrões daqui é bem bom, até picanha conseguimos comer! E o melhor de tudo, conseguimos o contato de um dos garçons de lá que é brasileiro e diz que tem como conseguir picanha no mercado público. Vamos ver se é de verdade ou marra de carioca, hehhe.

Sobre o Natal… bom, devo confessar que achei que ia ser bem mais difícil. Bom não dá para dizer que foi, pois bom mesmo seria passar junto com toda a família, mas dadas as circunstâncias, foi bem legal. Fizemos amigo secreto e janta na casa do Ismail, depois fomos tomar uma ceva num pub irlandês que tem várias cervejas, e o melhor: vende todas elas em canecos de 1 litro (bwahuahua). Pena que nos correram cedo do pub, pois apesar de termos ganho folga do trabalho no dia 25, o resto do Israel trabalhou normalmente. Fotos do evento em breve.

No dia 25 à tarde aproveitamos o resto do dia (acordei às 12h) e fomos a Nazaré, já que Belém é território controlado pelos Palestinos e não fomos aconselhados a ir lá. Foi o mais próximo que conseguimos chegar de Natal, pois a cidade é de maioria árabe cristã (sim, nem todo árabe é muçulmano, pelo contrário). Daí tinha enfeites nas ruas, etc. Fomos na Basílica da Anunciação, foi legal para sentir um pouco o clima natalino. E foi engraçado para mim também, pois visitando a igreja eu me sentia um pouco mais em casa, por ser um ambiente mais parecido com o que estamos acostumados. Enfim, fim-de-ano sempre é meio complicado, e este ano foi mais ainda.

Vamos ver o que vai ser do ano-novo. Estamos planejando uma festança, primeiro tivemos algumas idéias meio mirabolantes (requeriam cartão diamante da Funai), mas agora a coisa se encaminha para fazer uma janta power no Ismail e se não estiver ventando estilo Nordestão, ir na orla à meia-noite para estourar as champanhes. Diz o pessoal aqui que o ano-novo é mais comemorado que o Natal, tem umas festas e tal. Nada de shows de fogos e tal, mas pelo menos talvez dê para comemorar a entrada de 2008 sem parecer uns aliens andando de touca de papai noel na rua, como fizemos na noite de 24, hehehe.

Então tá pessoas, mando mais notícias em 2008, para contar como foi a festa. Acho que vai ser a barreira de fogo: se eu conseguir aguentar o ano novo sem esmorecer,  dá para aguentar firme até outubro de 2008.

Deixo o meu desejo de um feliz 2008 a todos, cheio de alegria, felicidade, saúde e que todos os seus planos e sonhos se realizem com êxito!

Um grande abraço a todos,  e mandem notícias, comentários, fotos, e-mails… pode parecer bobo, mas ajuda a suportar a saudade aqui do outro lado do oceano.

Abraços,
Bruno

Museu dos Tanques e Churras

15 Dezembro 2007

Eae pessoas,

Bom, fazia um tempo que eu não dava notícias por aqui, então senta que o post vai ser meio grande… :)

Buenas, no findi passado ficamos por casa mesmo, até porque choveu bastante, então não dava muita vontade de sair de casa mesmo. Daí acabamos fazendo um “almoço comunitário” no clube. O menu foi Risoto (receita de família, com direito a manteiga e até queijo ralado – especiaria aqui por esses lados!). Daí terminamos a função da cozinha lá pelas 3h e abri uma ceva que eu tinha levado. Daí o pessoal foi trazendo mais ceva das suas casas, o papo foi engatando… até que acabou a ceva (isso era umas 6 da tarde). O que fizemos? Fomos comprar mais ceva, óbvio! Daí fomos ao super, renovamos o estoque e seguimos o baile, que foi quase até às 11h. Resultado: todo mundo de cara inchada no domingo-feira, hehehe. Mas foi bom, conversamos sobre os mais diversos assuntos, rimos, valeu a pena.

Durante a semana continuou o Hannukah, e comemos muito sufganiah, que é um doce clássicodo Hannuka aqui. Já tinham nos falado sobre s sufganiot (plural de sufganiah…) e tal, mas qual foi a surpresa ao ver que o tal sufganiah nada mais é do que…. um sonho!!! Idêntico ao que se acha em qualquer padaria do Brasil! Fui no super e achei até uns recheados com mu-mu, hehehe.

Sufganiots

No mais, recomeçamos a aula de hebraico na quarta (massacre mental, mas não tem outro jeito de aprender). Na quinta jogamos futebol numa quadra muito bizarra, desnivelada e na beira de um morro, mas foi legal. Aliás, o futebol tem sido para nós mais do que mera atividade física: é quando descontamos todos os sentimentos (bons e ruins :) ) acumulados na semana, gritando, reclamando (especialmente), etc… Andrea Sebben estaria orgulhosa ao ver o nosso jogo, hehehe.

E nessa sexta de manhã fomos num museu de tanques mantido pelas IDF (Israeli Defence Forces). Fica no meio do caminho enntre Tel Aviv e Jerusalém, a uns 130km de Haifa. Mas valeu a pena a viagem, eles têm muitos tanques por lá. Todos que as IDF já usou mais outros capturados de inimigos e outros comprados como coleção mesmo. E é muito engraçado, porque tu vês aquilo e sabe que são todos equipamentos que estão em uso ou estiveram há bem pouco tempo atrás. Por exemplo, um tanque exposto foi capturado na guerra do Yom Kippur em 1973, transformado e reutilizado na guerra do Líbano em 1982. Isso é totalmente diferente do que se vê no Brasil, onde a última guerra de verdade foi há uns 150 anos. Bom, mas chegando lá uma “brigadiana” (como chamamos as gurias fardadas aqui… :) ) nos guiou pelo museu, explicando os principais tanques e tal, muito tri. As FOTOS estão nesse link.

Voltando do passeio, tirei uma sesta e tivemos churras à noite (fotos no Picasa do Leo – legendas por total responsabilidade dele), em comemoração ao aniversário do Ismail. Foi sem dúvida o melhor churras que tivemos aqui no Israel. Entrecot, coração de galinha, salada de batata e arroz branco!!! OK, nada de 1 quilo de carne por pessoa, até porque o quilo do entrecot aqui custou módicos 90 sheqalim (cerca de 45 reais). Mas deu para matar a saudade de carne, coisa mais linda aquele cheiro de graxa pingando no carvão!!! O próximo churras já está agendado para o dia 24, quando faremos o nosso Natal Israelense. E depois no ano-novo, quando a coisa vai ser pegada!! Esse aí vai entrar para a história! Já que vamos passar solitos o fim de ano aqui, que seja com uma Carlsberg na mão, hehehe. Mas falando sério, tá ficando meio foda esse clima de fim-de-ano, porque é a época que todo mundo faz churras, festa, encontros e reencontros, amigo secreto, etc, e nós aqui, longe de tudo e todos… mas no balanço final de tudo, com certeza está valendo um monte a pena toda essa odisséia aqui em Israel. Mas que dá uma saudade de vez em quando, isso dá…

Então tá pessoas, mandem notícias daí também e apareçam por aqui de vez em quando.

Abraços,
Bruno

Shalom a todos (ou seja, “שלום הכל“)!

Aqui vai mais um report das notícias do Oriente Médio! A semana foi tranquila, pois agora estamos meio que entrando numa rotina. Não que isso seja ruim, mas o tempo começa a passar mais rápido, quando me dei por conta já era quinta-feira, e começo de fim-de-semana! (essa é a parte boa; por outro lado, estamos trabalhando enquanto todo mundo está fazendo fogo para o churras de domingo, pelo menos começamos o findi antes também!) O que temos feito para fazer o findi render é fazer algo na quinta de noite, porque se ficarmos só rateando, o findi passa e quando se vê, já começou outra semana e adeus Tia Chica! E pior é que quando termina a semana, dá vontade de dormir o findi inteiro, porque a semana ficou carregada com a aula de hebraico. É penoso, mas está valendo a pena, pois já deu para sentir uma evoluída. Quem sabe em 2 meses conseguiremos comprar frios e conversar sobre a previsão do tempo com o pessoal daqui… :o ) Por falar em aula de hebraico, teremos uma folga de 10 dias nas aulas, pois aqui hoje começa o Hannuka, que é um feriado religioso dos judeus aqui. Nós vamos trabalhar normalmente, mas as escolas param, tem várias festividades, shows, etc.

Bom, mas o programa do Findi foi ir a Jerusalém (ou “Yerushaláim”, como eles chamam aqui). Como não sabíamos bem como funcionava em relação ao Shabbat (uns diziam que a cidade parava, outros que tudo abria normalmente, outros que se ficássemos lá iam nos tocar pedras se dirigíssemos no shabbat…), decidimos sair bem cedo de Haifa, ver tudo o que desse da cidade velha e voltar. No fim foi o que fizemos, saímos às 6h de Haifa e chegamos lá aí pelas 7h45. Seguindo as placas chegamos na Cidade Velha, que é a parte mais histórica da cidade. Na real, a cidade velha é toda murada e com vários portões que dão acesso a ela. No entorno da cidade velha fica a Jerusalém moderna (que ficou para conhecermos numa próxima vez). E é muito louco, porque a cidade velha é dividida em 4 quadrantes: judeu, cristão, armênio e árabe. Isso faz da cidade um caldeirão cultural, pois se vê de tudo por lá. Teoricamente pode-se passar de um quadrante a outro sem problemas, e foi bem tranquilo para nós nesse aspecto.

Chegando lá passamos pelo mercado árabe (como todo mercado árabe, uma experiência única), que fica numa das vias construída pelos Romanos para trazer mantimentos e mercadorias para a cidade. E é muito bizarro, umas ruelinhas estreitas com lojas ao redor, tudo meio escuro e cheio de gente, coisas do tipo. Dêem uma olhada nas FOTOS que vocês entenderão. Depois, achamos a 1a estação da Via Dolorosa, que é o caminho que Jesus fez entre o julgamento e a crucificação e contratamos um guia que nos levou através das 14 estações da Via. Em cada uma delas tem uma igreja ou um monumento mostrando o que aconteceu ali segundo a Bíblia. Na real não exatemente “ali”, pois a cidade foi demolida e reconstruída várias vezes nesses 2000 anos, mas vale a crença de quem passa ali. As últimas 5 estações ficam dentro de um templo, que tem 4 igrejas dentro: católica, ortodoxa russa, ortodoxa grega e etíope. Para entrar no templo se passa pela Etíope, e é uma coisa muito louca, pois é tri escura, e com uns altares à meia-luz, com um padre no canto meio dormindo ou entoando cânticos, assusta um pouco, hehehe.

Bom, entrando na Igreja maior, que é predominantemente ortodoxa, tem as estações onde Jesus foi tirado da cruz e tal até o Santo Sepulcro, que fica dentro de uma espécie de altar, mas muito apertado, com uma ante-sala e sala, onde só ficam 2 pessoas por vez. Na real não sei se é porque estávamos mais interessados na cidade do que no aspecto religioso em si, mas não parece nada demais. E as últimas estações são meio estranhas, elas não têm bem cara de Igreja. Enfim, essa foi apenas a primeira ida a Jerusalém, pretendemos ir mais vezes, para terminar de ver a cidade velha, ir aos museus, conhecer a cidade nova, etc.

No mais tudo certo por aqui, ontem à noite pudemos matar um pouco a saudade de carne. O diretor da AEL está aqui em Israel, então nos convidou para jantar num restaurante de carnes aqui em Haifa. Chama-se “El Gautcho”, que é tipo o “El Viejo Pancho” em POA, ou seja, carne grelhada na parilla. Comemos entrecot até não conseguir mais, hoje de manhã estava todo mundo meio “triste”, meio pesado ainda, hehehe.

Então era isso! Sigam mandando notícias daí, é muito bom receber os e-mails e comentários de vocês, ajuda a lidar com essas coisas de saudade e fim-de-ano… :o )

Abraços,
Bruno

Findi caseiro

24 Novembro 2007

Shalom pessoas,

Pois é, nesse findi acabamos ficando aqui pela volta mesmo. A semana começou a ficar puxada, tanto pelo trabalho como pelas aulas de hebraico. Daí chegamos no findi meio podres, querendo dormir e ficar mais sossegados. O programa do findi foi fazer 2 sessões de cinema no Club Apartment, que é o apartamento “de convivência” da galera. Semana passada já tínhamos visto “Planet Terror”, que é uma das partes do filme novo do Tarantino. Essa semana vimos “Godfather” I e II, uma parte na quinta à noite, outra na sexta. Ambas as partes são muito fodásticas, não é à toa que é o único filme cuja sequência ganhou oscar de melhor filme. Ainda embalados pelo espírito italiani, fizemos uma macarronada para toda a galera no club no almoço de sexta (menos o Lorenzo, que ficou fazendo cu doce…), ficou jóia também.

Mas voltando aos Israeli subjects, começamos semana passada o curso de hebraico. Estamos fazendo num instituto para acolhida de imigrantes, que oferece cursos específicos para esse tipo de público. Eles têm metodologias específicas para focar no uso diário da língua e não em uso técnico, acadêmico, etc. O negócio é entender os outros falar. Só que o curso é bem puxado, 3h, 2x por semana, depois do trabalho (das 17h30 às 20h30). Ficamos brincando que vai ser que nem o curso do BOPE no Tropa de Elite (“Os senhores chegaram aqui por suas próprias pernas”/”Ninguém os convidou”/”Declaro aberto o primeiro curso de hebraico para brasileiros: NUNCA FALARÃO”)… hehehehhe. Mas está sendo legal, já estamos progredindo, talvez em uns 2 ou 3 meses já dê para começar a enteder as pessoas na rua e ter diálogos simples, comprar frios no super, etc, o que será um grande progresso (parece bobo, mas só quem já passou por essa sensação de analfabetismo sabe do que estou falando).

Ah, falando ainda no curso, vimos a primeira cena mais “encagaçante” aqui em Israel. Mas não teve nada a ver com guerra e tal. O lugar onde fizemos o curso é bem no centrão velho de Haifa, que é um bairro que foi nobre no passado mas hoje virou meio boca-braba (é como se fosse o centro de POA, só que com as ruas com 1/4 da largura). Daí estávamos saindo do curso no quarta quando vimos uma gritaria num mercadinho que tem a uns 50m do curso. Nisso, sai o porteiro do curso e diz que estavam batendo no dono do mercado. Daí saem 4 caras encapuzados do mercadinho, entram num carro e saem à milhão. Primeiro pensamento de brasileiro: assaltaram o bolicheiro. No outro dia contamos para um cara na empresa e ele falou que provavelmente não era assalto, e sim máfia. O cara não deve ter pago a “proteção” e recebeu a visita dos “parrrrceira”. Bom, nenhum país é perfeito… mas mesmo assim, aqui dá para se sentir 203 mil vezes mais seguro do que no Brasil.

Para fechar o findi, fiz um faxinão aqui em casa. É um saco, mas depois que tu vês a casa limpa, vê que valeu a pena. Agora o negócio é terminar esse post, almoçar o resto de lentilha que fiz no findi passado (quem não tem feijão , come lentilha mesmo, fazer o quê), acompanhar o pessoal jogar um futs (ou “katrêgel”, como chamam aqui), pois me lesionei na semana passada com a chuteira nova que tinha comprado (fez uma bolha mega-gigante). Menos mal que consegui trocar a chuteira, que tinha ficado muito apertada no meu “pé de moça”, hehehe.

Então tá pessoas, apareçam por aqui, deixem notícias, mandem e-mail, etc. Já passou mais de um mês, e começa a bater saudade, nostalgia, essas coisas….. c’est la vie!

Abraços,
Bruno