Sobre Gaza e todo esse rolo…
28 Janeiro 2008
Shalom pessoas,
Bom, depois de três meses aqui acho que já dá para ter opiniões mais precisas sobre as coisas que acontecem aqui. Este post vai tratar de um assunto especificamente Israeli.
Pelo que o pessoal daí (Brasil) tem falado, parece que o noticiário está “bombando” (eu sei, baita “trocadalho”) sobre Gaza, que está quase dando guerra e tal, e que Israel é malvado, feio e bobão porque fechou a fronteira Gaza-Israel e não deixa nada entrar, então os Gazeanos tiveram que ir para o Egito comprar comida e combustível.
Bom, mas porque isso acontece? E mais ainda, porque só na faixa de Gaza e não na Cisjordânia, que também é controlada por palestinos? Pois bem, acontece que desde que Israel se retirou da faixa e da Cisjordânia, o controle dessas regiões ficou com o que sobrou da OLP, a Organização para a Libertação da Palestina. Só que eles se dividiram em dois movimentos (parece coisa de petista), o Hamas e o Fatah. O presidente da AP (autoridade palestina) e o primeiro ministro são do Fatah e, assim digamos, mais moderados, ou seja, concordam com a instalação do estado palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e aceitam que Israel continue com o terrritório que tem (há ainda algumas divergências sobre a divisão de Jerusalém, mas isso são outros 500). Só que o Hamas é mais radical e discorda disso, pois eles pregam que o estado judaico deve ser destruído. Sim, isso mesmo, destruído. Inclusive por discordar do Fatah, nas eleições da câmara palestina em 2000 o Hamas obteve maioria . Com isso, eles correram o Fatah da Faixa, então na prática hoje existem dois territórios palestinos: a Cisjordânia, mais moderada e controlada pelo Fatah, e a Faixa, controlada pelo Hamas e pregando a destruição de Israel. (update: a propósito, a mesma fronteira de Gaza com o Egito que foi arrombada pelo Hamas semana passada era administrada por tropas européias da UN. Só que elas se retiraram de lá em 2006, pois têm como política não negociar com terroristas, ou seja, com o Hamas).
Como o Hamas faz isso? Já que eles (teoricamente) não têm acesso à armas, ficam lançando foguetes artesanais nas cidades israelenses próximas à faixa. Não são mísseis, mas fazem um bom estrago. Imaginem que você está em casa ou no trabalho e de repente um cano de ferro cheio de pregos e pólvora estoura o teto da tua casa e explode em cima de ti. Ou então na escola do teu filho? Nada legal, não é?
E é por estar caindo na média 10 a 20 foguetes por dia nas cidades próximas à Faixa (teve dia que caiu mais de 50 foguetes) que Israel endureceu a entrada de coisas em Gaza. Daí pode-se alegar “mas impedem a entrada de material de primeira necessidade”. De certa forma sim, para fazer a população pressionar o governo que elegeu (Hamas) a aliviar os foguetes. E se é dito “ah, impedem até a entrada de fertilizante, impedindo a população de plantar seus alimentos). Adivinhe o que é usado na mistura que propulsiona os foguetes??? O mesmo fertilizante que deveria ser usado para gerar comida é desviado para fazer armas.
Enfim, guerra é um negócio complicado e guerra contra milícias e terroristas é mais complicado ainda. Mas a idéia deste post (e talvez de mais que venham, se eu tiver disposição) é mostrar que a coisa não é bem assim como passa no Jornal Nacional ou no Fantástico… :-/
Abraços,
Bruno
P.S.: tomei a liberdade de traduzir um artigo que mostra bem o que está acontecendo na relação Israel e Gaza. Está logo abaixo deste post. Recomendo a leitura!!
Os ingênuos do Hamas
28 Janeiro 2008
Esse artigo eu li no site do Jerusalem Post. Como achei bem interessante e elucidativo sobre a situação entre Israel e Gaza, tomei a liberdade de traduzi-lo livremente. O original encontra-se aqui.
Boa leitura! Vale a pena!
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Os Ingênuos do Hamas
Ontem (20/01), a comissária européia de relações externas, Benita Ferrero-Waldner, disse: “Eu condeno o lançamento de foguetes contra Israel e nós entendemos completamente a necessidade de Israel de defender seus cidadãos”. Mas ela também acusou Israel de causar blecautes em partes de Gaza, afetando casas e hospitais. Fechar as fronteiras causará racionamentos de comida e medicamentos… eu sou contra essa punição coletiva da população de Gaza”
Seria ótimo se a imprensa internacional e os governantes que cegamente dão seus palpites sobre isto pudessem por um
momento considerar que seu abraço “Pavloviano” (agradeço a quem puder traduzir esta expressão) à “crise humanitária”
fabricada em Gaza pode levar, na melhor das hipóteses, no prolongamento do sofrimento dos Gazeanos e Israelenses e,
pior, à uma sangrenta guerra. A razão disto é que qualquer coisa que reduza a pressão sobre o Hamas para encerrar
sua agressão gratuita contra Israel vai encorajar essa agressão, com todos seus resultados associados.
Israel obviamente não tem interesse em causar qualquer tipo de sofrimento em Gaza, e tem todo interesse em encorajar
o desenvolvimento palestino, apesar da guerra que O Hamas promove contra Israel. Mas o Hamas é responsável pelo
disparo de dezenas de foguetes – 50 em um dia na última semana) contra os cidadãos de Sderot (cidade próxima à
Gaza). Como resultado, Israel reduziu o fornecimento de combustível, levando a uma redução de 25% da disponibilidade
de energia elétrica disponível aos Gazeanos.
Como a ministra das Relações Exteriores explicou: “Nós estamos mantendo a situação humanitária na Faixa de Gaza.
Israel é o único lugar no mundo que fornece eletricidade à organizações terroristas que lançam foguetes como
retorno. A vida para os palestinos da Faixa de Gaza não é fácil porque há terrorismo lá… o Hamas pode mudar a vida da população de Gaza em um instante, se cessar o terrorismo. Eles sabem disso, e os cidadãos palestinos devem
entender isto também”. Um oficial do Hamas advertiu que a redução das entregas de combustível para a usina elétrica
de Gaza pode causar uma catástrofe na saúde. “Nós temos a escolha de cortar a eletricidade dos bebês na maternidade
ou cirurgias de coração ou então parar as salas de operações (ondem são feitos os foguetes)“, ele disse.
Bem, não exatamente. O Hamas tem a escolha de fornecer a eletricidade que tem primeiro para hospitais e outras
necessidades humanitárias. O Hamas também tem a escolha de parar o ataque com foguetes Kassam contra Israel. No
entanto, como esperado, os líderes do Hamas escolheram por deliberadamente aumentar o sofrimento dos palestinos,
sabendo que a comunidade internacional vai cooperar com essa cínica escolha e culpar Israel. Qualquer um que duvide
que o Hamas é capaz de parar sua agressão deve notar que o regime terrorista admitiu responsabilidade pelos ataques
e de tempos em tempos sugeriu um “cessar-fogo”. Não existe, além disso, nenhum grande ato de “punição coletiva”
maior que disparar aleatoriamente foguetes em casas de civis inocentes. Onde está a preocupação pela “crise
humanitária” dos Israelenses que têm tido de viver sob ameaças de esporádicas e, às vezes, intenso lançamento de
foguetes nos últimos sete anos?
Interrupções de eletricidade e combustível não são fáceis, mas não podem se comparar à mortal e indiscriminada
ameaça de foguetes caindo em jardins-de-infâcia e residências.
Mesmo se o sofrimento fosse comparável, a culpabilidade moral não o é. O que os cidadãos de Sderot fizeram aos
Gazeanos ou ao Hamas? Como pôde Israel ter se retirado completamente de Gaza, depois de arrancar não só todos os
assentamentos mas também cemitérios e a faixa de segurança ao longo da fronteira entre Gaza e o Egito?
É uma coisa para o Hamas ter decidido atacar Israel sem qualquer justificativa, em detrimento das pessoas que diz
representar. Mas porquê iriam nações que alegam estarem preocupadas com palestinos, israelenses e pelo acordo de paz
reforçar o despiste de Hamas de culpar Israel por estar sendo atacado?
Talvez mais oficiais europeus deveriam visitar Sderot antes de abrirem suas bocas. O ministro de Relações Exteriores
holandês, Maxime Verhagen, fez justamente isto e teve isto a dizer: “Hamas está deliberadamente intensificando a
crise na Faixa de Gaza de modo a criar pressão da comunidade internacional sobre Israel”. A comunidade internacional
precisa não jogar o jogo do Hamas. Se os oficiais ocidentais uniformemente culparem o Hamas ao invés de amplificar
sua propaganda, o Hamas será forçado a parar sua agressão, pondo fim à “crise humanitária”. Tão necessária quanto
medidas militares e não militares de Israel, a maior pressão de todas seria se a comunidade internacional deixasse
claramente compreendido que está farta de agir como ingênuos do Hamas.
Texto original em http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1200572510629&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull
Livremente (mas tentado fielmente) traduzido por Bruno Cozer. Erros ou sugestões, favor usar os comentários.
Yad Vashem (Museu do Holocausto)
19 Janeiro 2008
Shalom pessoas,
Retomando o programa de viagens, nesse findi (na sexta) fomos a Jerusalém para visitar o Yad Vashem, que é o Museu do Holocausto. Na verdade não é extamente um museu, e sim um memorial. O memorial foi reformado e aumentado há três anos, e é uma experiência incrível. Todo o prédio é cheio de simbolismos, tudo para lembrar a morte dos 3 milhões de judeus que a máquina nazista fez antes e durante a segunda guerra e principalmente para não deixar acontecer novamente, nem com eles e nem com nenhum outro povo. Claro que não dá para dizer que o museu é “legal”, mas é muito bem-elaborado e interessante, retrata bem e ajuda a compreender tudo o que aconteceu naquela época. Claro que ali a história é contada pelo lado de quem sofreu as piores consequências daquela época, mas mesmo assim, não tem nada que explique tudo o que aconteceu, é impressionante até aonde o ser humano é capaz de ir, mesmo sendo um animal “racional”. Matar simplesmente por matar, para “limpar a raça”, e em nome disso atirar em homens, mulheres, crianças (!!!) Além do museu, tem também o Jardim dos Justos, que é uma área onde existem várias árvores (a árvore aqui é um símbolo para lembrar as pessoas) plantadas, uma para cada não-judeu que ajudou judeus a escapar da “solução final” executada pelo nazismo. Inclusive dois brasileiros, um dos quais coincidentemente retradado na Istoé desta semana. Vale a pena a leitura!
Mas depois, na volta paramos em Tel-Aviv onde descobrimos que tem um parque com uma baita infra-estrutura bem na entrada da cidade. Lembra um pouco os parques de Toulouse, com bicicletas para alugar, vários gramados para piquenique, churrasqueiras, brinquedos para crianças, etc. Nos atiramos na grama e ficamos lagarteando por lá (saudades da Redenção) até o sol ir embora e depois voltamos para Haifa. Mas certo que vamos voltar lá outros findis para passar o dia, o lugar é muito legal.
No mais segue a vida aqui, apesar do frio e do ar seco. Tive que chegar ao ponto de comprar um creme e ficar passando, porque senão a pele fica toda rachada e doendo… mas c’est la vie! Hoje fiz três medalhões de picanha com a carne comprada na Operação Bassar II, ficou de chorar num cantinho! Só com sal e fritinho na frigideira com manteiga…. nâo sei como tem gente que pode ser vegetariana, aquele gostinho de mastigar a carne…. estão achando exagero? Passem 2 meses sem comer carne de verdade e venham falar comigo depois, hehehe!
Era isso, mandem notícias daí e continuem aparecendo!
Abraços,
Bruno
Museu da Força Aérea
12 Janeiro 2008
Shalom pessoas,
Pois é, quase duas semanas de abandono no blog não é bonito. Mas enfim, vamos dar uma recapitulada nos acontecimentos dos últimos 10 dias.
O findi passado foi de completa inutilidade. Ficamos mais por casa, estava frio e chuvoso, sem a mínima vontade de colocar o nariz para fora de casa. Se não me engano fizemos uma bóia no clube e jogamos Counter Strike em rede (sim, em dias de chuva tem que arranjar alguma diversão). Ah, também fizemos uma sessão cinema, com “Munique”. É interessante como dá para se ter outra visão dos Israeli subjects, agora que estamos mais por dentro da história e dos acontecimentos. Tenho procurado me interar da história de Israel e do Oriente Médio como um todo, e é muita informação, muita história. Mas uma coisa dá para afirmar: a coisa aqui é enrolada mesmo, toda essa discórdia e celeuma não é por nada.
Bom, mas voltando, após o findi quase depressivo semana passada, para esse findi nos decidimos a não passar em casa e retomar as viagens. Nosso destino a princípio seria o Museu do Holocausto em Jerusalém, mas com a visita do Bush a cidade está toda atravessada, o trânsito uma bagunça, etc. Então, mudamos nossos planos e nos tocamos para o Museu da Força Aérea Israelense, que fica perto de Be-er Sheva, mais ao sul de Israel, no começo do deserto de Negev.
Saímos cedito, pois eram uns bons 250km até lá. Fomos quase até Tel-Aviv, depois passamos perto de Jerusalém e depois rumamos a Be-er Sheva. É interessante que quase chegando em Be-er Sheva, a paisagem lembrava o norte do RS, com várias coxilhas verdes de plantações (irrigadas, óbvio). Mas é acabar a irrigação e já nos damos conta que estamos praticamente no Deserto de Negev, hehehe.
Bom, o museu é muito legal, vários aviões e várias histórias. As fotos estão aqui (UPDATE: adicionei mais algumas fotos!). E de novo, como em Latrum, é muito louco a diferença entre Brasil e Israel nesse aspecto. As últimas guerras pauladas aqui são tri recentes, então todo mundo tem isso muito vivo na sua história. Por exemplo, pudemos ver um caça que abateu 13 inimigos, ver os destroços de outro avião inimigo, etc. Acho que não tem nenhum caça brasileiro em atividade que tenha derrubado um inimigo de verdade. Por um lado isso é bom, pois temos um país em paz. Mas será que temos mesmo? Enfim, isso talvez seja assunto para um outro post.
Na volta do museu, paramos em Tel-Aviv para comprar carne, na Operação Bassar II. Dessa vez compramos carne para uso de cada um, daí chegando em casa separamos as carnes e fizemos um strogonoff no clube. Hoje, foi dia de ficar mais por casa e (tentar) jogar um futebol, mas o jogo teve de ser interrompido antes que o pau fechasse, dado o elevado nível de testosterona acumulada da galera…
Então tá pessoas, mandem notícias e aproveitem a praia aí enquanto eu passo frio aqui, até porque estejam certos que em Julho, enquanto vocês estiverem encarangando de frio, eu ligarei para vocês da beira do Mediterrâneo para me vingar, hehehehhe.
Abraços,
Bruno
Adeus ano velho, feliz ano novo…
01 Janeiro 2008
Shalom pessoas!
Bom, passado o Natal, o desafio era encarar o ano novo tão longe de tudo e todos. Não foi aquilo tudo, mas sobrevivi. Mas vamos começar a história do começo.
Primeiro, a idéia de comemoração do ano novo era fazer um luau na praia. Após alguns dias de discussões, viu-se que era uma idéia excelente, mas totalmente inviável no clima que estamos tendo (não se esqueçam que é inverno aqui, tem feito menos de 10 graus à noite e um vento que parece o minuano). Então, acabamos fazendo um churrasco no Ismail (again). E por falar em churrasco, no último post falei sobre a janta que a AEL nos deu em Tel-Aviv, onde o garçom carioca disse que tinha picanha para vender no mercado público de lá, certo. Pois então, não é que era verdade mesmo? Na sexta passada, o Lorenzo, o Léo montamos a “Operação Bassar” (carne, em hebraico transliterado) e nos tocamos para lá comprar. O Lorenzo fez um bom relato da história toda no blog dele.
Bom, garantida a picanha e a costela (mais baratas que no Brasil, por sinal
), o Ismail fez uma lentilha e a Emilena fez uns negrinhos para guardar pelo menos um pedaço de tradição com o nosso ano novo. Só que vocês não tem noção do frio que fez ontem à noite. Além da temperatura baixa, um vento que cortava, pois a casa do Ismail fica num costado de morro de frente para a baía, então o vento ali não perdoa. Tirando a vez que tentei esquiar na frança de calça jeans e blusão, foi a vez que mais passei frio na minha vida. OK, tinha a opção de ficar dentro de casa, mas achei mais depressivo ainda passar a noite de ano novo vendo O Fantasma da Ópera na TV em inglês com legendas em hebraico. Como os nossos violeiros Léozinho e Budja entraram num freixenet-mode e emendaram a tocar música atrás de música na rua, o churras estava rolando na rua e a Alice (namorada do Bidi) trouxe o narguile para a rua, fizemos uma turma dos guerreiros e ficamos ali, cantando, comendo, empinando Freixenet (comprada a 20 pilas – pelo menos alguma vantagem tinha de ter no ano novo aqui…) e encarando o frio. Quando virou a meia-noite, NADA DE FOGOS, nada de gritos. Bom, isso já era meio esperado, mas foi estranho. Mas, ignoramos e fizemos nossa própria comemoração. Fomos ainda para a praia, pois alguns desequilibrados (hehehe) ainda foram pular sete ondas e tal. Na volta da praia, o sono acabou batendo forte em mim (tinha levantado às 6h para trabalhar em pleno dia 31) e acabei não indo a nenhum pub, e fui para casa dormir. Isso foi meio foda, mas foi o momento.
Enfim, aqui estamos. Foi foda passar o ano novo, mas sobrevivi. Agora é bola pra frente e tocar a vida. Assim como tem esses momentos mais difíceis aqui, tem vários outros legais, e no balanço geral a conta está positiva, com certeza!
Feliz 2008 a todos vocês!! Que possamos realizar todos nossos sonhos e sermos muito felizes!
Abraços,
Bruno