Então, foi Natal (foi mesmo??)
28 Dezembro 2007
Shalom pessoas,
Pois é, quase larguei o blog para as cobras… esse clima de fim-de-ano que não é fim-de-ano, sei lá. Na real não temos feito muitas coisas novas nos fins de semana, a rotina começa a se estabelecer, enfim. Desculpa sempre há para qualquer coisa, hehe.
Pois bem, desde os últimos acontecimentos marcantes (churras do aniversário do Ismail e ida ao museu dos tanques) até se passaram algumas coisas. No dia 20 fomos a Tel-Aviv numa “churrascaria” chamada Papagaio, como festa de fim de ano que a AEL nos proporcionou, já que não pudemos estar presentes na festa que rolou em POA. Na real é o Papagaio é um restaurante de carnes, que tenta ser uma espécie de espeto corrido. E é concorridíssimo, para ir lá só com reserva prévia. Mas para os padrões daqui é bem bom, até picanha conseguimos comer! E o melhor de tudo, conseguimos o contato de um dos garçons de lá que é brasileiro e diz que tem como conseguir picanha no mercado público. Vamos ver se é de verdade ou marra de carioca, hehhe.
Sobre o Natal… bom, devo confessar que achei que ia ser bem mais difícil. Bom não dá para dizer que foi, pois bom mesmo seria passar junto com toda a família, mas dadas as circunstâncias, foi bem legal. Fizemos amigo secreto e janta na casa do Ismail, depois fomos tomar uma ceva num pub irlandês que tem várias cervejas, e o melhor: vende todas elas em canecos de 1 litro (bwahuahua). Pena que nos correram cedo do pub, pois apesar de termos ganho folga do trabalho no dia 25, o resto do Israel trabalhou normalmente. Fotos do evento em breve.
No dia 25 à tarde aproveitamos o resto do dia (acordei às 12h) e fomos a Nazaré, já que Belém é território controlado pelos Palestinos e não fomos aconselhados a ir lá. Foi o mais próximo que conseguimos chegar de Natal, pois a cidade é de maioria árabe cristã (sim, nem todo árabe é muçulmano, pelo contrário). Daí tinha enfeites nas ruas, etc. Fomos na Basílica da Anunciação, foi legal para sentir um pouco o clima natalino. E foi engraçado para mim também, pois visitando a igreja eu me sentia um pouco mais em casa, por ser um ambiente mais parecido com o que estamos acostumados. Enfim, fim-de-ano sempre é meio complicado, e este ano foi mais ainda.
Vamos ver o que vai ser do ano-novo. Estamos planejando uma festança, primeiro tivemos algumas idéias meio mirabolantes (requeriam cartão diamante da Funai), mas agora a coisa se encaminha para fazer uma janta power no Ismail e se não estiver ventando estilo Nordestão, ir na orla à meia-noite para estourar as champanhes. Diz o pessoal aqui que o ano-novo é mais comemorado que o Natal, tem umas festas e tal. Nada de shows de fogos e tal, mas pelo menos talvez dê para comemorar a entrada de 2008 sem parecer uns aliens andando de touca de papai noel na rua, como fizemos na noite de 24, hehehe.
Então tá pessoas, mando mais notícias em 2008, para contar como foi a festa. Acho que vai ser a barreira de fogo: se eu conseguir aguentar o ano novo sem esmorecer, dá para aguentar firme até outubro de 2008.
Deixo o meu desejo de um feliz 2008 a todos, cheio de alegria, felicidade, saúde e que todos os seus planos e sonhos se realizem com êxito!
Um grande abraço a todos, e mandem notícias, comentários, fotos, e-mails… pode parecer bobo, mas ajuda a suportar a saudade aqui do outro lado do oceano.
Abraços,
Bruno
Museu dos Tanques e Churras
15 Dezembro 2007
Eae pessoas,
Bom, fazia um tempo que eu não dava notícias por aqui, então senta que o post vai ser meio grande…
Buenas, no findi passado ficamos por casa mesmo, até porque choveu bastante, então não dava muita vontade de sair de casa mesmo. Daí acabamos fazendo um “almoço comunitário” no clube. O menu foi Risoto (receita de família, com direito a manteiga e até queijo ralado – especiaria aqui por esses lados!). Daí terminamos a função da cozinha lá pelas 3h e abri uma ceva que eu tinha levado. Daí o pessoal foi trazendo mais ceva das suas casas, o papo foi engatando… até que acabou a ceva (isso era umas 6 da tarde). O que fizemos? Fomos comprar mais ceva, óbvio! Daí fomos ao super, renovamos o estoque e seguimos o baile, que foi quase até às 11h. Resultado: todo mundo de cara inchada no domingo-feira, hehehe. Mas foi bom, conversamos sobre os mais diversos assuntos, rimos, valeu a pena.
Durante a semana continuou o Hannukah, e comemos muito sufganiah, que é um doce clássicodo Hannuka aqui. Já tinham nos falado sobre s sufganiot (plural de sufganiah…) e tal, mas qual foi a surpresa ao ver que o tal sufganiah nada mais é do que…. um sonho!!! Idêntico ao que se acha em qualquer padaria do Brasil! Fui no super e achei até uns recheados com mu-mu, hehehe.
No mais, recomeçamos a aula de hebraico na quarta (massacre mental, mas não tem outro jeito de aprender). Na quinta jogamos futebol numa quadra muito bizarra, desnivelada e na beira de um morro, mas foi legal. Aliás, o futebol tem sido para nós mais do que mera atividade física: é quando descontamos todos os sentimentos (bons e ruins
) acumulados na semana, gritando, reclamando (especialmente), etc… Andrea Sebben estaria orgulhosa ao ver o nosso jogo, hehehe.
E nessa sexta de manhã fomos num museu de tanques mantido pelas IDF (Israeli Defence Forces). Fica no meio do caminho enntre Tel Aviv e Jerusalém, a uns 130km de Haifa. Mas valeu a pena a viagem, eles têm muitos tanques por lá. Todos que as IDF já usou mais outros capturados de inimigos e outros comprados como coleção mesmo. E é muito engraçado, porque tu vês aquilo e sabe que são todos equipamentos que estão em uso ou estiveram há bem pouco tempo atrás. Por exemplo, um tanque exposto foi capturado na guerra do Yom Kippur em 1973, transformado e reutilizado na guerra do Líbano em 1982. Isso é totalmente diferente do que se vê no Brasil, onde a última guerra de verdade foi há uns 150 anos. Bom, mas chegando lá uma “brigadiana” (como chamamos as gurias fardadas aqui…
) nos guiou pelo museu, explicando os principais tanques e tal, muito tri. As FOTOS estão nesse link.
Voltando do passeio, tirei uma sesta e tivemos churras à noite (fotos no Picasa do Leo – legendas por total responsabilidade dele), em comemoração ao aniversário do Ismail. Foi sem dúvida o melhor churras que tivemos aqui no Israel. Entrecot, coração de galinha, salada de batata e arroz branco!!! OK, nada de 1 quilo de carne por pessoa, até porque o quilo do entrecot aqui custou módicos 90 sheqalim (cerca de 45 reais). Mas deu para matar a saudade de carne, coisa mais linda aquele cheiro de graxa pingando no carvão!!! O próximo churras já está agendado para o dia 24, quando faremos o nosso Natal Israelense. E depois no ano-novo, quando a coisa vai ser pegada!! Esse aí vai entrar para a história! Já que vamos passar solitos o fim de ano aqui, que seja com uma Carlsberg na mão, hehehe. Mas falando sério, tá ficando meio foda esse clima de fim-de-ano, porque é a época que todo mundo faz churras, festa, encontros e reencontros, amigo secreto, etc, e nós aqui, longe de tudo e todos… mas no balanço final de tudo, com certeza está valendo um monte a pena toda essa odisséia aqui em Israel. Mas que dá uma saudade de vez em quando, isso dá…
Então tá pessoas, mandem notícias daí também e apareçam por aqui de vez em quando.
Abraços,
Bruno
Jerusalém (ou Yerushaláim, para os íntimos)
05 Dezembro 2007
Shalom a todos (ou seja, “שלום הכל“)!
Aqui vai mais um report das notícias do Oriente Médio! A semana foi tranquila, pois agora estamos meio que entrando numa rotina. Não que isso seja ruim, mas o tempo começa a passar mais rápido, quando me dei por conta já era quinta-feira, e começo de fim-de-semana! (essa é a parte boa; por outro lado, estamos trabalhando enquanto todo mundo está fazendo fogo para o churras de domingo, pelo menos começamos o findi antes também!) O que temos feito para fazer o findi render é fazer algo na quinta de noite, porque se ficarmos só rateando, o findi passa e quando se vê, já começou outra semana e adeus Tia Chica! E pior é que quando termina a semana, dá vontade de dormir o findi inteiro, porque a semana ficou carregada com a aula de hebraico. É penoso, mas está valendo a pena, pois já deu para sentir uma evoluída. Quem sabe em 2 meses conseguiremos comprar frios e conversar sobre a previsão do tempo com o pessoal daqui…
) Por falar em aula de hebraico, teremos uma folga de 10 dias nas aulas, pois aqui hoje começa o Hannuka, que é um feriado religioso dos judeus aqui. Nós vamos trabalhar normalmente, mas as escolas param, tem várias festividades, shows, etc.
Bom, mas o programa do Findi foi ir a Jerusalém (ou “Yerushaláim”, como eles chamam aqui). Como não sabíamos bem como funcionava em relação ao Shabbat (uns diziam que a cidade parava, outros que tudo abria normalmente, outros que se ficássemos lá iam nos tocar pedras se dirigíssemos no shabbat…), decidimos sair bem cedo de Haifa, ver tudo o que desse da cidade velha e voltar. No fim foi o que fizemos, saímos às 6h de Haifa e chegamos lá aí pelas 7h45. Seguindo as placas chegamos na Cidade Velha, que é a parte mais histórica da cidade. Na real, a cidade velha é toda murada e com vários portões que dão acesso a ela. No entorno da cidade velha fica a Jerusalém moderna (que ficou para conhecermos numa próxima vez). E é muito louco, porque a cidade velha é dividida em 4 quadrantes: judeu, cristão, armênio e árabe. Isso faz da cidade um caldeirão cultural, pois se vê de tudo por lá. Teoricamente pode-se passar de um quadrante a outro sem problemas, e foi bem tranquilo para nós nesse aspecto.
Chegando lá passamos pelo mercado árabe (como todo mercado árabe, uma experiência única), que fica numa das vias construída pelos Romanos para trazer mantimentos e mercadorias para a cidade. E é muito bizarro, umas ruelinhas estreitas com lojas ao redor, tudo meio escuro e cheio de gente, coisas do tipo. Dêem uma olhada nas FOTOS que vocês entenderão. Depois, achamos a 1a estação da Via Dolorosa, que é o caminho que Jesus fez entre o julgamento e a crucificação e contratamos um guia que nos levou através das 14 estações da Via. Em cada uma delas tem uma igreja ou um monumento mostrando o que aconteceu ali segundo a Bíblia. Na real não exatemente “ali”, pois a cidade foi demolida e reconstruída várias vezes nesses 2000 anos, mas vale a crença de quem passa ali. As últimas 5 estações ficam dentro de um templo, que tem 4 igrejas dentro: católica, ortodoxa russa, ortodoxa grega e etíope. Para entrar no templo se passa pela Etíope, e é uma coisa muito louca, pois é tri escura, e com uns altares à meia-luz, com um padre no canto meio dormindo ou entoando cânticos, assusta um pouco, hehehe.
Bom, entrando na Igreja maior, que é predominantemente ortodoxa, tem as estações onde Jesus foi tirado da cruz e tal até o Santo Sepulcro, que fica dentro de uma espécie de altar, mas muito apertado, com uma ante-sala e sala, onde só ficam 2 pessoas por vez. Na real não sei se é porque estávamos mais interessados na cidade do que no aspecto religioso em si, mas não parece nada demais. E as últimas estações são meio estranhas, elas não têm bem cara de Igreja. Enfim, essa foi apenas a primeira ida a Jerusalém, pretendemos ir mais vezes, para terminar de ver a cidade velha, ir aos museus, conhecer a cidade nova, etc.
No mais tudo certo por aqui, ontem à noite pudemos matar um pouco a saudade de carne. O diretor da AEL está aqui em Israel, então nos convidou para jantar num restaurante de carnes aqui em Haifa. Chama-se “El Gautcho”, que é tipo o “El Viejo Pancho” em POA, ou seja, carne grelhada na parilla. Comemos entrecot até não conseguir mais, hoje de manhã estava todo mundo meio “triste”, meio pesado ainda, hehehe.
Então era isso! Sigam mandando notícias daí, é muito bom receber os e-mails e comentários de vocês, ajuda a lidar com essas coisas de saudade e fim-de-ano…
)
Abraços,
Bruno