Povo e comportamento

23 Novembro 2007

O DaRosa (que tb esteve de aniversário no último dia 14 – parabéns, Dieguito!) perguntou em um dos comentários sobre se o povo não é meio bitolado aqui por causa da religião. Bom, falar de religião é sempre complicado, mas vou colocar as impressões que tive até agora. Sem ofensas, se eu falar alguma besteira ou alguém discordar, os comentários estarão sempre abertos… :o )

Primeiro, uma explicação: os judeus parecem se dividir em três tipos (essa divisão é por minha conta – nada oficial): os ortodoxos (referenciados a partir de agora por “hard”), que é o pessoal que segue à risca a religião, que se veste de preto, com chapéu e o cabelo típico e tal, que não faz nada no shabbat, trabalham mais em função da religião e sua comunidade, etc. Depois vêm os “medium”, que seguem, mas pero no mucho. Usam quipá (a “boininha” aquela) na cabeça, mas trabalham e tem uma vida “normal”, etc (têm vários desses na Elbit, por exemplo, nas mais variadas funções). Depois vêm os “light”, que são judeus, mas não necessariamente praticam, mais ou menos como a maioria dos católicos no Brasil. Esses não necessariamente seguem à risca os “não pode” da religião (vide explicação mais abaixo)

Segundo, tem de ser levar em conta aque Haifa a coisa parece ser mais light nesse aspecto. Para se ter uma idéia, em1 mês vimos mais ortodoxos (os “hard) no vôo de Zurich para Tel Aviv do que na rua em Haifa.

Isto posto, é bem verdade que a religião aqui está presente em todos os lugares. Mas muito mais arraigada na tradição do que na religião em si. Por exemplo, o shabbat. Teoricamente, entre o pôr-do-sol de sexta e o pôr-do-sol de sábado ninguém pode fazer nenhum trabalho. Isso inclui dirigir, sair, etc. E por causa disso todas as lojas e restaurantes kosher fecham aí pelas 3 da tarde de sexta e só reabream às 8 da noite de sábado. Mas nesse período as ruas não ficam vazias: o pessoal sai, vai à praia, passeia, etc. Ou seja, o aspecto religioso já fica meio em segundo plano, mas como há o hábito de as lojas fecharem no shabbat, elas continuam fechando.

Mas respondendo objetivamente à pergunta: sim, as coisas são muito guiadas pela religião aqui. “Bitolado” talvez seja um termo forte demais, mas exste. Para mim o exemplo maior é essa história do shabbat, que quebra ao meio o findi de todo mundo (inclusive o nosso). E é estranho ver, porque se tu vais no shopping ou no super no final da manhã de sexta ou no final da noite de sábado (lembrem que as coisas reabrem às 8 da noite e ficam até à meia-noite), está tudo atrolhado!!! As pessoas parecem desesperadas comprando, como se fosse passar 1 mês trancadas em casa. Mas enfim, cada povo com seu costume…

Abraços,
Bruno

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