Findi caseiro

24 Novembro 2007

Shalom pessoas,

Pois é, nesse findi acabamos ficando aqui pela volta mesmo. A semana começou a ficar puxada, tanto pelo trabalho como pelas aulas de hebraico. Daí chegamos no findi meio podres, querendo dormir e ficar mais sossegados. O programa do findi foi fazer 2 sessões de cinema no Club Apartment, que é o apartamento “de convivência” da galera. Semana passada já tínhamos visto “Planet Terror”, que é uma das partes do filme novo do Tarantino. Essa semana vimos “Godfather” I e II, uma parte na quinta à noite, outra na sexta. Ambas as partes são muito fodásticas, não é à toa que é o único filme cuja sequência ganhou oscar de melhor filme. Ainda embalados pelo espírito italiani, fizemos uma macarronada para toda a galera no club no almoço de sexta (menos o Lorenzo, que ficou fazendo cu doce…), ficou jóia também.

Mas voltando aos Israeli subjects, começamos semana passada o curso de hebraico. Estamos fazendo num instituto para acolhida de imigrantes, que oferece cursos específicos para esse tipo de público. Eles têm metodologias específicas para focar no uso diário da língua e não em uso técnico, acadêmico, etc. O negócio é entender os outros falar. Só que o curso é bem puxado, 3h, 2x por semana, depois do trabalho (das 17h30 às 20h30). Ficamos brincando que vai ser que nem o curso do BOPE no Tropa de Elite (“Os senhores chegaram aqui por suas próprias pernas”/”Ninguém os convidou”/”Declaro aberto o primeiro curso de hebraico para brasileiros: NUNCA FALARÃO”)… hehehehhe. Mas está sendo legal, já estamos progredindo, talvez em uns 2 ou 3 meses já dê para começar a enteder as pessoas na rua e ter diálogos simples, comprar frios no super, etc, o que será um grande progresso (parece bobo, mas só quem já passou por essa sensação de analfabetismo sabe do que estou falando).

Ah, falando ainda no curso, vimos a primeira cena mais “encagaçante” aqui em Israel. Mas não teve nada a ver com guerra e tal. O lugar onde fizemos o curso é bem no centrão velho de Haifa, que é um bairro que foi nobre no passado mas hoje virou meio boca-braba (é como se fosse o centro de POA, só que com as ruas com 1/4 da largura). Daí estávamos saindo do curso no quarta quando vimos uma gritaria num mercadinho que tem a uns 50m do curso. Nisso, sai o porteiro do curso e diz que estavam batendo no dono do mercado. Daí saem 4 caras encapuzados do mercadinho, entram num carro e saem à milhão. Primeiro pensamento de brasileiro: assaltaram o bolicheiro. No outro dia contamos para um cara na empresa e ele falou que provavelmente não era assalto, e sim máfia. O cara não deve ter pago a “proteção” e recebeu a visita dos “parrrrceira”. Bom, nenhum país é perfeito… mas mesmo assim, aqui dá para se sentir 203 mil vezes mais seguro do que no Brasil.

Para fechar o findi, fiz um faxinão aqui em casa. É um saco, mas depois que tu vês a casa limpa, vê que valeu a pena. Agora o negócio é terminar esse post, almoçar o resto de lentilha que fiz no findi passado (quem não tem feijão , come lentilha mesmo, fazer o quê), acompanhar o pessoal jogar um futs (ou “katrêgel”, como chamam aqui), pois me lesionei na semana passada com a chuteira nova que tinha comprado (fez uma bolha mega-gigante). Menos mal que consegui trocar a chuteira, que tinha ficado muito apertada no meu “pé de moça”, hehehe.

Então tá pessoas, apareçam por aqui, deixem notícias, mandem e-mail, etc. Já passou mais de um mês, e começa a bater saudade, nostalgia, essas coisas….. c’est la vie!

Abraços,
Bruno

Surtei

23 Novembro 2007

Shalom,

Bom, quem me conhece há mais tempo sabe que mais ou menos uma vez por ano, quando Vênus se alinha com Marte em um dia ímpar de chuva que o Grêmio jogue fora e ganhe com gol do Tuta, eu tenho um surto consumista.

Pois bem, esse surto ocorreu no sábado passado. O resultado está aí embaixo:

My precious iPod

80 GIGA de pura música e vídeos… diliça! Atolei todas as MP3 que tinha no PC enão deu nem 8GB. Como diria o Léo, já que não vou ter mulher aqui tão cedo, o negócio é arranjar algo pra se divertir…. :o )

Abraços,
Bruno

Povo e comportamento

23 Novembro 2007

O DaRosa (que tb esteve de aniversário no último dia 14 – parabéns, Dieguito!) perguntou em um dos comentários sobre se o povo não é meio bitolado aqui por causa da religião. Bom, falar de religião é sempre complicado, mas vou colocar as impressões que tive até agora. Sem ofensas, se eu falar alguma besteira ou alguém discordar, os comentários estarão sempre abertos… :o )

Primeiro, uma explicação: os judeus parecem se dividir em três tipos (essa divisão é por minha conta – nada oficial): os ortodoxos (referenciados a partir de agora por “hard”), que é o pessoal que segue à risca a religião, que se veste de preto, com chapéu e o cabelo típico e tal, que não faz nada no shabbat, trabalham mais em função da religião e sua comunidade, etc. Depois vêm os “medium”, que seguem, mas pero no mucho. Usam quipá (a “boininha” aquela) na cabeça, mas trabalham e tem uma vida “normal”, etc (têm vários desses na Elbit, por exemplo, nas mais variadas funções). Depois vêm os “light”, que são judeus, mas não necessariamente praticam, mais ou menos como a maioria dos católicos no Brasil. Esses não necessariamente seguem à risca os “não pode” da religião (vide explicação mais abaixo)

Segundo, tem de ser levar em conta aque Haifa a coisa parece ser mais light nesse aspecto. Para se ter uma idéia, em1 mês vimos mais ortodoxos (os “hard) no vôo de Zurich para Tel Aviv do que na rua em Haifa.

Isto posto, é bem verdade que a religião aqui está presente em todos os lugares. Mas muito mais arraigada na tradição do que na religião em si. Por exemplo, o shabbat. Teoricamente, entre o pôr-do-sol de sexta e o pôr-do-sol de sábado ninguém pode fazer nenhum trabalho. Isso inclui dirigir, sair, etc. E por causa disso todas as lojas e restaurantes kosher fecham aí pelas 3 da tarde de sexta e só reabream às 8 da noite de sábado. Mas nesse período as ruas não ficam vazias: o pessoal sai, vai à praia, passeia, etc. Ou seja, o aspecto religioso já fica meio em segundo plano, mas como há o hábito de as lojas fecharem no shabbat, elas continuam fechando.

Mas respondendo objetivamente à pergunta: sim, as coisas são muito guiadas pela religião aqui. “Bitolado” talvez seja um termo forte demais, mas exste. Para mim o exemplo maior é essa história do shabbat, que quebra ao meio o findi de todo mundo (inclusive o nosso). E é estranho ver, porque se tu vais no shopping ou no super no final da manhã de sexta ou no final da noite de sábado (lembrem que as coisas reabrem às 8 da noite e ficam até à meia-noite), está tudo atrolhado!!! As pessoas parecem desesperadas comprando, como se fosse passar 1 mês trancadas em casa. Mas enfim, cada povo com seu costume…

Abraços,
Bruno

1 mês abroad

19 Novembro 2007

Shalom pessoas,

Pois é, dia 16 fez um mês fora de casa. Para marcar a data, fizemos o primeiro churrasco com carne de gado do ASH Team, na sede litorânea (vulgo “casa do Ismail”). Conseguimos achar o tão falado mercado russo onde se vende carne de verdade. Tá certo que não foi picanha nem costelão, mas deu para enganar a vontade. Além da carne rolou galeto, maionese e arroz. Além da Carlsberg (está surgindo um movimento anti-Macabee no grupo) tivemos a presença do Alexander, the Great. Conseguimos achar uma vodka mais vagabunda que Valeska e Popokelvis. A ressaca de manhã foi graúda….

Bom, balanço de um mês: a cidade é legal, a Elbit é uma mãe pra nós (nos dá café, almoço, janta, academia, carro, gasolina, apê, etc, etc, etc – vide blogs do resto da gurizada), o pessoal do trabalho também têm se mostrado gente boa. Só o que está atrapalhando é o idioma. Aquela história de “todo mundo fala inglês” não é bem assim. Dentro da empresa tudo bem, a coisa rola tranquilo, mas no dia-a-dia é meio jogo duro, especialmente em supermercados e lojas,que é quando mais precisamos nos comunicar e quando menos se acha gente que fale inglês. Por exemplo, fui comprar frios ontem. Apelei para o clássico “Ani rotsê zê” (eu quero esse) e “shalosh meôt” (300 gramas). A mulher me olhou e despejou 203 mil explicações para mim. A sorte que tinha um cara atrás de mim na fila que deve ter visto minha cara perplexa, ficou com pena e traduziu para mim a explanação da mulher. Mas enfim, teoricamente isso deve começar a melhorar, pois amanhã começamos o curso de hebraico. Serão 6h/semana, talvez em uns 2 meses possamos começar a interagir mais decentemente com o resto do pessoal.

Era isso, mais notícias e fotos do churras em breve.

Abraços a todos,
Bruno

Mar da Galiléia (Kinneret)

12 Novembro 2007

Eae pessoas,

Bom, o findi foi meio fraco por aqui. Na sexta (sábado “lógico”), fomos em direção ao Mar da Galiléia. Hoje em dia ele têm uma importância estratégica para Israel, pois fornece 30% da água potável do país. Aliás, não tem razão nenhuma de ser chamado de “mar”, pois sua água é doce. Além do mais, os israelenses o chamam de Kinneret, cuja tradução ou etimologia passa longe de “mar”. Vai saber… Enfim, a principal cidade à beira do lago é Tiberias, pela qual só passamos. Ocorre que aqui é final de temporada e está entrando o inverno, então tudo está meio que fechado. Tentamos ir em um dos parques nacionais de Israel onde vimos que sá para acampar, fazer rafting, canoagem, etc, mas como está fora de temporada não rolou. E também por estar entrando o inverno, fez um dia horrível, fechado, nublado, pesado, etc. Sem clima para turismo. Mas mesmo assim fomos no “gauchão-mode”.

A região é muito rica em sentido histórico, pois ali Jesus teria feito várias coisas. Fomos a Cafarnaum, na beira do Kinneret, onde foi feita a multiplicação dos pães e peixes. No local tem uma igreja e no altar a ponta da pedra da qual o filho do homem fez a multiplicação. Fomos ainda em uma ruínas onde era a casa de Pedro. Ali tem ruínas de templos e sinagogas, mosaicos e ladrilhos bem antigos, bem massa. Para maiores detalhes dê uma olhada nas fotos. Aliás, como já tinha dito o Cristiano da AEL, é nessas horas que o cara se arrepende de ter ficado viajando nas aulas de religião… Visitamos ainda o Rio Jordão, que na real é um arroio sem nada de especial. OK, OK, em um país seco como este, toda água é fundamental, mas perto da imagem que se cria do RIO JORDÃO, como fluxo de águas, e onde Jesus foi batizado, etc, é bem diferente. Bom, vejam as fotos e tirem suas conclusões. Ah, vale lembrar que foi sobre as águas do Kinneret que Jesus teria caminhado.

No domingo ficamos por Haifa mesmo. O dia limpou e deu para curtir um resto de praia. Resto, porque está começando a esfriar por aqui. Até chuva de verdade já teve. Ontem deu para se sentir legitimamente “sob um céu de blues”, tal fechado estava o dia…

No mais segue a rotina. Estamos finalmente terminando os cursos na empresa. A partir da semana que vem, começa o rock’n'roll! Algo que tenho feito bastante (e que não fazia há muito) é nadar. A empresa nos inscreveu em um centro esportivo aqui completo, com quadras, academia e piscina. COmprei um swimming goggles e me toquei na água. Se continuar nesse ritmo, em uns 3 meses consigo ir e voltar uma piscina nadando sem parar!! :o )

Abraços,
Bruno

P.S.: Homenagem especial ao amigo Fábio “Tesourinho” Martinazzo que está de aniversário hoje. Tomarei uma MACABEE BEER em especial deferimento!

Comida – parte II

09 Novembro 2007

Shalom pessoas!

Bom, conforme prometido, voltemos ao assunto comida. Agora que está (razoavelmente) explicado o que é Kosher, vou tentar traçar como isso se reflete na comida e no dia-a-dia. Como eu havia dito, para um restaurante ser Kosher, deve passar por uma vistoria e aprovação de um Rabino, que certifica que carne (mesmo Kosher) e leite não se misturam naquele estabelecimento. Mais ainda, por exemplo o utensílio utilizado para preparar carne não pode ser o mesmo para fazer comida com leite, o que na prática faz com que restaurantes acabem se focando mais em carne ou leite e derivados.

Sobre “comida típica de Israel”, não dá para dizer qual é a comida típica daqui. Isso porque como o país é muito novo (não esqueçam que foi criado recém em 1948), e há muita imigração para cá, e quem imigra traz junto seus costumes, entre eles a comida. Portanto, aqui se encontra restaurantes de cozinha árabe, libanesa (tipo o Baalbek e o Al Nur em POA), drúsios (algo entre árabe e libanês), russo, etc. Tudo depende do bairro em que se vá. Claro que existem alguns denominadores comuns entre essas cozinhas. Pepino certamente é um deles :-( .

Mas enfim, tomando como exemplo prático, abaixo uma foto do que tem sido minha janta típica: pita (o “pão árabe”, ou seja, aquele pão chatinho) com Hummus (pasta de grão-de-bico) e queijo (tipo um queijo minas com uns matos que eu ainda não descobri o que é). Recheia-se a pita com Hummus e queijo ou então vai se rasgando pedaços de pita e passando no Hummus. Aliás, comer com a mão aqui é tri normal (e dá outro gosto na comida). Além do Hummus existe ainda a Tehina, que é tipo um creme de gergelim. A mistura dos dois no pão fica tri bom. Outras coisas interessantes são as frutas: além de excelentes romãs (foto abaixo), maçã verde é uma coisa tri normal aqui. A bergamota que é bem ruinzinha (só tem daquela tipo “mexerica” e é meio azeda.


Hummus Aquilo ali no pote é Hummus. Não conseguiu ler?? :o )

Romã Não é carne moída. É romã.

Carne aqui é jogo duríssimo. Quando falo de carne, me refiro a carne de verdade, de gado. Geralmente só congelada e Kosher, ou seja sem sangue e gordura e sem ser das partes traseiras do animal. Ou seja, nada que dê para largar no fogo. Estamos ainda na procura dos tais mercados russos, que não são Kosher e teriam carne decente. Parece que para o churras de 1 mês aqui vai rolar uma carne legal.

Mas fora isso, o pessoal come muito peixe e peru por aqui. Uma coisa bem popular é o Schnitzel, que é um pedação de peito de peru empanado, tipo aqueles empanados que tem aí no Brasil. Mas ao invés de bico e unha de gainha (ou CMS, como dizem os Eng. de Alimentos…..), é peito de peru de verdade. Geralmente os Schnitzel são temperados bem suaves, então dá para comer sem medo. A contrapartida é que é frito, então não é lá muito bom ficar comendo fritura todo santo dia…. Ah, outra coisa bem típica aqui é Falafel (um bolinho de grão de bico temperado e frito como uma almômdega) e Schwarma (outrora conhecido por mim como KEBAB), que é uma pilha de pedaços de carne temperados e assados num rolo e tirados em rebarbas na hora de servir. Ambos são comidos com pita ou com um pão bem fininho (tipo uma massa de pizza, mas da espessura de uma folha, enrolados como um charuto).

Bom, acho que era isso. À medida que eu for tendo mais descobertas culinárias, compartilharei aqui.

Abraços,
Bruno

Akko e Rosh Hanikra

05 Novembro 2007

Shalom a todos!

No findi (que só foi feriadão aí mesmo), começamos a nossa “peregrinação” turística por Israel. Na sexta fomos a Akko (também conhecida por Acre), que fica bem pertinho de Haifa (coisa de 25km). Akko é uma cidade tri antiga, tem uma parte velha que fica dentro de uma fortificação. Hoje em dia a cidade se expandiu para fora da muralha, mas a cidade velha ainda está lá. No meio da cidade existe uma fortificação que foi construída pelos Otomanos, que muito tempo depois foi usada como prisão pelos Britânicos. A cidade ainda foi um ponto crucial dos Templários durante as cruzadas, pois era pelo porto de Akko que os peregrinos chegavam à Palestina, sendo recebidos pelos templários, que têm uma igreja na cidade, além de uma cidadela subterrânea, descoberta somente na década de 90. Enfim, é uma aula de história a céu aberto. Mais informações em http://en.wikipedia.org/wiki/Acre%2C_Israel . Não esqueçam de ver as fotos da viagem a Akko

Ainda no fim da sexta, demos uma estendida até Rosh Hanikra, que é a fronteira de Israel com o Líbano. Rosh Hanikra é um morro estratégico que demarca a fronteira entre os dois paises. O lado desse morro que fica para o mar é um enorme rochedo banhado pelo mediterrâneo, que com o tempo escavou a rocha, criando galerias e cavernas muito afudê (veja as fotos no Flickr). Embora a fronteira esteja fechada, pois Israel e o Líbano estão tecnicamente em guerra, o lugar é tri seguro, pois é um ponto turístico. Além de vários militares, dois destróieres ficam patrulhando o mar (muito doido). Bom, mas subindo no morro dá para descer de teleférico até às cavernas e ver três túneis e uma ponte que foram construídos pelos Ingleses em 1942, fazendo uma ligação férrea direta entre Jerusalém, Beirute, Turquia e a Europa. Mas em 1948, durante a guerra de independência de Israel, os rebeldes implodiram a ponte, para evitar um ataque do Líbano, de forma que hoje a linha férrea é fechada e só os dois primeiros túneis podem ser visitados (o terceiro fica em território Libanês).

Era isso pessoal! Vejam as fotos e aguardo seus comentários (aqui ou no Flickr).

Shalom!
Bruno

P.S.: Não esqueci da segunda parte do post sobre comida. Ele virá em breve….